| Vestuário foi um dos três, dos sete grupos que compõem o índice, continua após a publicidade |
Curitiba fechou o mês de junho com a menor inflação desde o início da pesquisa, em janeiro de 1999: queda de 0,82%, conforme o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), calculado pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). Dos sete grupos que compõem o índice, quatro apresentaram queda e três, alta. O IPC se refere a famílias que ganham até 40 salários mínimos.
Com o resultado de junho, a inflação acumula no ano (janeiro a junho) alta de 1,90% e, nos últimos 12 meses (julho de 2004 a junho de 2005) elevação de 5,49%.
?O índice de junho nos surpreendeu. Sobretudo porque não foi uma queda isolada, mas generalizada?, apontou o economista Gino Schlesinger, do Ipardes. Dos sete grupos que compõem o índice, apenas três registraram aumento – Habitação, com alta de 0,51%; Vestuário, com elevação de 0,50%; e Despesas Pessoais, com aumento de 0,22%. Dentro da Habitação, pressionou o índice o aumento do condomínio (1,92%) e do aluguel (0,36%). No grupo Vestuário, as roupas tiveram aumento de 0,56%; os calçados e acessórios, alta de 0,60%, e jóias e relógios, 1,88%. Em Despesas Pessoais, a pressão veio sobretudo da alta em casas noturnas (8,72%) e diarista (1,91%).
Na outra ponta, os grupos Alimentos e Bebidas, Transporte e Comunicação, Saúde e Cuidados Pessoais e Artigos de Residência pressionaram a inflação para baixo. No grupo Alimentos e Bebidas (queda de 1,42%), contribuiu para o índice a redução do preço da batata-inglesa (-32,48%), leite pasteurizado (-2,72%), tomate (-16,44%), cenoura (-43,14%), açúcar refinado (-5,96%) e arroz (-4,44%).
Em Transporte e Comunicação, a pressão veio sobretudo dos combustíveis – álcool e gasolina -, que caíram 20,02% e 8,35%, respectivamente. O preço da passagem de avião também ficou menor (-7,39%), assim como o conserto de veículos (-1,49%). No grupo Saúde e Cuidados Pessoais, a deflação se deve especialmente às promoções de medicamentos, cujos preços caíram 7,07% em média. Em Artigos de Residência – que apresentou queda de 0,75% no mês – a pressão veio sobretudo da redução nos preços dos móveis (-2,20%).
Julho
Para julho, a expectativa é que o IPC fique estável ou registre nova queda, segundo o economista Gino Schlesinger. Entre os itens que devem pressionar a inflação para cima estão a gasolina – cujo preço já subiu 7% e deve influenciar o índice em 0,17 ponto percentual – e o álcool combustível. Também as excursões costumam ter aumento de preços em julho, devido às férias escolares. Já o telefone, reajustado em 7,27%, deve ter o impacto do aumento distribuído em três meses – 0,36% em julho, 5,55% em agosto e 1,42% em setembro.
Entre os itens que devem segurar a inflação, ou jogá-la para baixo, estão a tarifa de ônibus, que passou de R$ 1,90 para R$ 1,80 – queda de 5,93% em julho em relação a junho, o que representa 0,10 ponto percentual. O grupo Vestuário também deve pressionar a inflação para baixo, especialmente por conta das promoções de inverno. ?Em julho, já começam as liquidações. Os preços devem ficar estáveis ou apresentar uma queda?, apontou o economista.
A incógnita, segundo Gino Schlesinger, ficou por conta da energia elétrica, que teve autorização de aumento pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), no dia 24 de junho. ?Até agora, não houve aumento para o consumidor. Mesmo que haja alta, o impacto só será sentido em agosto?, informou. A inflação de julho vai depender ainda do comportamento do grupo Alimentos e Bebidas. Em julho de 2004, o IPC registrou alta de 0,70%.