Brasília – A crise no mercado financeiro internacional ainda não foi dimensionada por investidores e analistas, de acordo com o economista e professor das Faculdades Integradas Rio Branco, Douglas Renato Pinheiro, de São Paulo. As turbulências, que foram originadas pela falta de crédito, provocada com a inadimplência no setor imobiliário dos Estados Unidos, deixaram instáveis os índices nas bolsas de valores em todo o mundo e elevou repentinamente o valor do dólar no Brasil. Na última semana, entretanto, o valor do dólar voltou a cair e a bolsa de valores retomou o crescimento.

Douglas Pinheiro disse que os investidores reagiram depois que o governo norte-americano adotou medidas para socorrer as instituições bancárias em dificuldade nos Estados Unidos. Ele avalia que ninguém sabe ainda o tamanho da crise e não se pode prever até onde ela vai. "Não se sabe ainda o tamanho dessa crise. Então, acho que o mercado todo está na expectativa para identificar o tamanho dela. Como o mercado é globalizado, o que acontece no país afeta os demais", disse à Radio Nacional.

Ele concorda com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao dizer que o Brasil está preparado, com fundamentos econômicos sólidos, para enfrentar qualquer problema mais grave que porventura piore a situação da economia mundial. O argumento é que a economia real está muito melhor no Brasil do que há dez anos, com contas externas em equilíbrio, ajuste fiscal, redução da dívida pública e o setor produtivo muito mais estruturado para competir com produtos de outras partes do mundo.

"O setor produtivo, as empresas, as indústrias, estão muito mais equipadas, muito mais estruturadas para competir no mercado global e o governo possui reservas internacionais [a última posição oficial indicava US$ 160,5 bilhões]", analisa o professor.

Caso ocorra nova oscilação do valor da moeda norte-americana, o economista acredita que o efeito chegará não apenas a quem tem dinheiro nas bolsas de valores ou em dólar. Douglas Pinheiro afirma que até o preço do cafezinho pode ser alterado, especialmente se houver impacto na inflação. O governo, no entanto, tem garantido que não haverá inflação.

Definições sobre os juros, tanto aqui, quanto nos Estados Unidos, só serão conhecidas a partir de setembro, quando o Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil (Copom) se reunirá, nos dias 4 e 5, em Brasília. Nos EUA, os juros serão definidos num encontro no dia 18, do Federal Open Market Committe, em Washington. Se houver nova redução da taxa básica de juros (Selic), por exemplo, no Brasil, Douglas Pinheiro interpreta que representará a sinalização de que a economia local está indo bem, com uma situação favorável.

"Por enquanto há uma tendência de tranqüilidade. Ainda, não se sabe qual vai ser as novas informações, os novos dados com relação aos créditos concedidos [nos Estados Unidos]. Então, é uma bolha que a gente não sabe quando vai estourar ou se já estourou", afirmou.

Douglas Pinheiro deixa um recado para a população: que deixe as compras para outro momento, com pagamento à vista quando possível, até que a situação seja melhor analisada.