Depois de meses de crise, o mercado financeiro dá sinais de sair de seus piores momentos e investidores voltam a mostrar disposição para encarar riscos. O resultado é um mercado de ações mundial em alta e alguns índices financeiros já retornando a padrões registrados antes da quebra do banco Lehman Brothers, em setembro. As conclusões são do Banco de Compensações Internacionais (BIS, o banco central dos bancos centrais). Mas o BIS alerta: a recuperação do mercado ainda está baseada na “esperança”. A crise ainda não foi superada, a contração das economias é profunda e importantes riscos ainda existem.

Segundo o BIS, quem vem se beneficiando com os sinais de retorno das atividades normais do mercado financeiro são principalmente os mercados emergentes, entre eles o Brasil, que voltam a receber grandes fluxos de capital. O BIS aponta como um dos principais exemplos desse novo cenário de esperança a reviravolta positiva no balanço de pagamentos no Brasil. “Há uma percepção crescente entre investidores de que o pior da crise e da queda da economia podem já ter passado”, afirmou o BIS em seu relatório trimestral publicado ontem.

Essa percepção e a esperança de dias melhores para a economia mundial teriam provocado uma retomada do apetite de investidores entre o fim de fevereiro e maio para voltar a aplicar em vários instrumentos financeiros. Como resultado, os spreads (juros) diminuíram e a volatilidade do mercado caiu. Contudo, o BIS deixa claro que o mercado financeiro internacional ainda não está plenamente nos mesmos níveis do período anterior à quebra da Lehman Brothers. O mercado de ações ainda está entre 20% e 30% abaixo, o mesmo ocorrendo no mercado de créditos e na avaliação dos spreads de papéis soberanos. O que existe, segundo o banco, são os primeiros sinais de uma estabilização diante das inúmeras medidas tomadas por governos, pacote trilionário e ações de bancos centrais.