Criação de empregos com carteira no Paraná é a maior desde 1992

O primeiro quadrimestre de 2008 teve o melhor nível de empregos formais desde 1992, no Paraná. A conclusão é do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que divulgou, ontem, relatório baseado em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Cage), do Ministério do Trabalho e Emprego.

De janeiro a abril deste ano foram criados, no Estado, 78.479 empregos – um crescimento de 4% em relação ao mesmo período de 2007.

No final do período, o número estimado de trabalhadores com carteira assinada, no Paraná, era de mais de 2 milhões.

?Apesar de uma desaceleração em 2005, o Paraná já vem tendo um bom desempenho desde o ano anterior?, informa o economista Sandro Silva, do Dieese. O principal motivo, segundo ele, é o crescimento do mercado interno que, por sua vez, decorre da melhora na renda do trabalhador.

De acordo com Silva, a alta da inflação e o recente aumento da taxa de juros pelo Banco Central não chegaram a influenciar os números dos primeiros quatro meses. ?Os juros mais altos devem refletir apenas no segundo semestre?, explica.

Segundo o Dieese, foi o Interior do Estado que mais puxou o crescimento do emprego, no período. Enquanto a Região Metropolitana de Curitiba gerou cerca de 24 mil postos de trabalho (30,6% dos empregos), no Interior foram geradas mais de 54 mil vagas (69,4%).

A maior causa, avalia Silva, foi o bom desempenho da agricultura e da agroindústria, que já acontece tradicionalmente nos primeiros meses do ano. ?Historicamente, o melhor mês na agricultura era maio. Mas nos últimos anos há uma tendência desse mês ser antecipado para abril?, diz.

A tendência, porém, deve se reverter no restante do ano. No último ano, por exemplo, o Interior não manteve desempenho melhor que a RMC. Já em abril, a RMC (7,05%) teve um crescimento no nível de emprego superior ao Interior do Estado (6,67%).

Mesmo assim, conclui Silva, os números do quadrimestre mostram que o peso da agricultura na economia e emprego paranaenses ainda é grande: ?maior, por exemplo, do que em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul?, completa.

Mas não foi a agropecuária -que fechou o primeiro quadrimestre com um saldo de 9,6 mil empregos – o setor com melhor desempenho. A indústria de alimentos, bebidas e álcool gerou 15,6 mil vagas. Outros setores que se destacaram foram o comércio varejista, com aproximadamente 6,8 mil empregos, e a construção civil, com 6,6 mil.

As perspectivas para o restante do ano, porém, não são de mais crescimento. Para Silva, como o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2008 – entre 4,6 e 4,7%, segundo as previsões – deve ser menor do que em 2007 (5,4%), dificilmente o nível do emprego manterá, este ano, o mesmo patamar atingido no ano passado. ?Além das maiores inflação e taxa de juros, o cenário internacional não é tão favorável?, diz Silva.

Um sinal disso pode estar nos números de abril que, isoladamente, foram menores que no mesmo mês, no ano passado. Mesmo assim, o mês ainda registrou crescimento de 1,31%, superior ao desempenho nacional, que foi de 0,99%.

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