A América Latina e o Caribe tiveram no ano passado o maior crescimento dos últimos 24 anos, de acordo com o relatório Financiamento do Desenvolvimento Global, apresentado ontem pelo Banco Mundial. A região cresceu 5,7% no ano passado, muito acima da média dos anos anteriores. Mas o crescimento previsto para os próximos anos é bem menor: 4,3% em 2005 e 3,7% no próximo ano, seguindo a tendência mundial de expansão mais moderada nos próximos anos.

?Os fundamentos dos países são sólidos, mas a região precisa adotar uma política prudente para reduzir sua vulnerabilidade ao aumento das taxas de juros e à desaceleração do crescimento mundial?, diz o economista-chefe do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe, Guillermo Perry.

O relatório prevê que a combinação de um crescimento mundial mais lento com o aumento das taxas de juros e da pressão inflacionária será responsável pelo desempenho menor da economia em 2007.

De acordo com o relatório, a América Latina e o Caribe cresceram graças a uma forte demanda mundial dos produtos exportados pela região, à elevação dos preços das commodities e das baixas taxas de juros e spreads internacionais. Esses fatores contribuíram para o crescimento no México, Chile e, em menor proporção, no Brasil.

Por outro lado, países como Argentina, Uruguai e Venezuela, cresceram na recuperação da grave crise que tiveram nos anos anteriores. A Argentina teve o maior crescimento da região no ano passado, de 8,6%, de acordo com a estimativa do Banco Mundial, depois de uma expansão de 8,8% no ano anterior.

Remessas

O relatório também mostra o aumento do volume de remessas de trabalhadores estrangeiros para seus países de origem. No ano passado, essas remessas totalizaram US$ 125,8 bilhões, mais do que o dobro do volume registrado em 1996.

O Brasil é o terceiro maior, depois de México e Colômbia, com um total de US$ 2,8 bilhões, e o oitavo maior do mundo.