O seguro-fiança é uma das alternativas para quem quer alugar um imóvel e não passar o constrangimento de solicitar um fiador, que não tem custo nenhum. Em algumas imobiliárias, essa ?fuga? do inconveniente tem crescido muito nos últimos tempos. Na Galvão, por exemplo, a procura pelo seguro-fiança aumentou 74% nos primeiros quatro meses desse ano, em relação ao mesmo período do ano passado.

O seguro-fiança é uma apólice anual feita pelo inquilino em uma seguradora. Seu valor corresponde a um percentual sobre o valor do aluguel, mais encargos. A gerente de locação da Galvão, Marise Hartmann, explica que a modalidade de fiança ainda é a mais procurada por não demandar custos. Porém, ela diz que muitas pessoas não têm conhecidos ou parentes na cidade (em algumas imobiliárias, o uso de parentes como fiadores não é aceito), o que as faz procurar outro meio, pois precisam alugar o imóvel. Sem falar que a questão da independência tem sido bastante recorrente nos últimos tempos. ?Muitos clientes preferem arcar com o custo do seguro para não pedir favor a terceiros?, comenta.

O vice-presidente de Locação do Sindicato da Habitação e Condomínios do Paraná (Secovi), Luís Valdir Nardelli, conta que entre as modalidades mais comuns de seguro nas locações (fiador, seguro- fiança, caução por meio de dinheiro, imóvel, etc, ou ainda o título de capitalização), o fiador ainda é o mais procurado. Segundo ele, entre 5% e 7% das locações são feitas com seguro-fiança. ?Mas vai aumentar, pois a tendência é que as pessoas cada vez mais resolvam seus problemas sozinhas?, diz Nardelli. Com o aumento da procura, outra tendência é diminuir o custo do seguro-fiança, que é alto e ainda tem um inconveniente a mais: não é reembolsado ao inquilino no final do contrato.

Marcelo Freitas, do Sindicato dos Corretores de Imóveis de Curitiba, afirma que a procura pelo seguro-fiança é grande desde de seu surgimento, e vem crescendo bastante nos últimos meses. ?Aumenta justamente em função da dificuldade de encontrar um fiador?, diz ele. Porém, ele explica que a seleção é bastante criteriosa, burocrática, baseada na renda do inquilino.

Nardelli lembra que nem todas as imobiliárias exigem fiador, mas grande maioria. Segundo ele, essa garantia só acontece por conta da legislação brasileira, que prevê um tempo muito grande para solicitar a retirada do inquilino do imóvel no caso de inadimplência. ?Quando tivermos mais garantias, como existem em outros países, essas modalidades, como o seguro-fiança, não serão mais necessárias?, comenta.