O aquecimento no mercado imobiliário está impactando diretamente no movimento de órgãos públicos municipais, em Curitiba. Estatísticas do setor mostram que, de janeiro a abril deste ano, as construtoras pediram 31% mais alvarás de construção do que no mesmo período do ano passado.

Mas o movimento não necessariamente significará um maior número de lançamentos nos próximos meses. Isso porque as empresas estão se precavendo em relação a possíveis atrasos nas liberações das obras.

Os números foram informados pelo consultor Marcos Kahtalian, do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Paraná (Sinduscon-PR). Para ele, por mais que haja a possibilidade de nem todos os alvarás liberados resultarem em obras, o número é bem visto pelo mercado.

“É um indicativo de que há a intenção de construir. E, se há intenção, é positivo”, avalia, ressaltando que o avanço mostra claramente o aquecimento no setor de construção civil. “Quando o mercado está aquecido, as construtoras se animam e tiram os projetos da gaveta para liberá-los”, afirma o consultor.

Mas o crescimento não é só atribuído ao maior movimento no mercado da construção civil. Segundo o presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi-PR), Gustavo Selig, as construtoras estão adiantando seus pedidos de alvarás para não serem surpreendidas por atrasos na liberação, na hora que precisarem começar a construção.

“As empresas estão fazendo estoques de terrenos com projetos aprovados, por causa da morosidade da prefeitura para liberar os alvarás de execução de obras”, afirma.

De acordo com Selig, esse tipo de atitude não só causa uma distorção nas avaliações de mercado, mas também acaba não sendo produtivo para as empresas, já que as necessidades dos consumidores podem mudar muito rapidamente, obrigando-as a alterarem os projetos. “Aí pode acarretar em nova demora. Ainda não sabemos como a prefeitura vai lidar com alterações de projetos, quando acontecerem”, observa.

Mão-de-obra

Mesmo com essa possível distorção nos números, Selig e Kahtalian concordam que há uma grande quantidade de obras programadas. De acordo com Kahtalian, isso reflete diretamente nas contratações: só em Curitiba, o setor gerou cerca de 7 mil empregos este ano, até maio. Em alguns empreendimentos, ele conta que as construtoras estão treinando novos funcionários, com pouca experiência, já no canteiro de obras.

Habite-se

Ao mesmo tempo em que os pedidos de alvarás de execução de obras aumentaram, o setor de construção registrou uma queda no número de habite-se – documentos que averbam a conclusão das obras e autorizam a entrega dos imóveis – expedidos este ano: no mesmo período, foram 3.115, contra 4.192 nos primeiros quatro meses do ano passado, uma queda de quase 26%.

Porém, de acordo com o consultor do Sinduscon-PR, não existe uma relação direta entre os dois números. “Essa queda é normal. Muito do que foi lançado há dois ou três anos ainda não foi concluído”, diz.