Ontem, foi Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças Relacionadas ao Trabalho. Entretanto, no Brasil, a data não é motivo de comemoração. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Previdência Social, foram registrados 503.890 acidentes no país só no ano de 2006. O número representa um aumento de 10% na quantidade de ocorrências registradas desde 2004.

?O número do Ministério da Previdência Social diz respeito aos trabalhadores formais, cujos acidentes são comunicados ao governo federal. Entretanto, dois terços dos trabalhadores brasileiros estão ligados à economia informal. Por isso, acredita-se que o número de acidentes de trabalho seja muito maior do que o divulgado?, diz o pesquisador da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho, órgão ligado ao Ministério do Trabalho, Eugênio Paceli Hatem Diniz.

?Infelizmente, a maioria das empresas se limita a fornecer a seus trabalhadores simples equipamentos de proteção individual, que são apenas complementares?, afirma. ?Entretanto, a prevenção está ligada a mudanças de processo, enclausuramento de máquinas perigosas, redução da exposição a barulho, poeira e substâncias tóxicas, entre uma série de outras medidas. Além disso, a prevenção de acidentes deve ser uma política dentro das empresas e não apenas preocupação e responsabilidade de comissões específicas.?

Motoboys

Uma das categorias profissionais mais expostas a riscos de trabalho atualmente é a dos motoboys. De acordo com Eugênio, o serviço de motofrete vem crescendo no Brasil, mas o trânsito não foi concebido para atender as necessidades de quem realiza este tipo de atividade.

Na cidade de São Paulo, quatro motociclistas perdem a vida diariamente, sendo um em via pública e três em hospitais. Em Curitiba, conforme informação do comandante do Batalhão de Trânsito da cidade, tenente-coronel Jorge Costa Filho, foram registrados 4.369 acidentes com moto em 2007, número 5,1% maior do que o registrado em 2006.