A agricultura orgânica tem apresentado crescimento significativo no Paraná. Atualmente, o estado é considerado o segundo produtor de orgânicos do país, perdendo apenas para São Paulo, que passa à frente em função da intensa produção de cana-de-açúcar. ?Este ano, já foram colocadas no mercado cerca de 78 mil toneladas de produtos orgânicos, com destaque para a soja, a mandioca, a cana-de-açúcar (que resulta na produção de açúcar mascavo e cachaça), frutas e hortaliças?, comenta o secretário da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Newton Pohl Ribas, que ontem participou do lançamento oficial do II Paraná Orgânico.
Uma área de 11.530 hectares, distribuída entre todas as regiões do estado, é destinada à produção orgânica. No total, o Paraná tem 4 mil produtores que se dedicam à atividade cadastrados no Emater (Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural). Muito do que é produzido é exportado (o mercado europeu é o maior consumidor), tendo como destaque a tilápia orgânica cultivada no município de Marechal Cândido Rondon, no oeste, que é levada para os Estados Unidos.
Desafios
Porém, apesar dos números considerados positivos, ainda existem muitos desafios a serem enfrentados. Segundo o presidente do Centro Paranaense de Referência em Agroecologia (CPRA), Airton Brizola, um dos principais deles é tornar os produtos orgânicos acessíveis às classes mais baixas da população. Hoje, devido ao preço com que chegam às gôndolas dos supermercados, eles ainda são considerados produtos de classe A.
?Para popularizar os orgânicos, temos que aumentar a produção e, com isto, conseguir baixar os preços. A realidade é que, atualmente, muitos produtores ainda relutam em trabalhar com orgânicos. Um dos motivos disso é a dificuldade de certificação. Ela ainda é cara e atualmente está nas mãos de empresas privadas. Em minha opinião, é necessário que o estado encontre formas de assumi-la?, afirma.
Outros desafios são a pesquisa, a comercialização e as linhas de crédito. No que diz respeito às pesquisas, o secretário Newton explica que elas acontecem de forma intensa tanto no Iapar (Instituto Agronômico do Paraná) quanto no CPRA, mas precisam ser ampliadas cada vez mais. Em relação às linhas de crédito, os trabalhos são focados no Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) e em uma nova parceria com o Banco do Brasil, que para a próxima safra irá colocar R$ 1,3 bilhão à disposição dos agricultores.
?Quanto à comercialização, existe uma parceria com a Apras (Associação Paranaense de Supermercados) que permitiu a instalação de quarenta gôndolas da agroindústria familiar em supermercados do estado. Nestas, os produtos orgânicos são o principal foco?, declara o secretário. Apesar da parceria, os locais de comercialização devem ser ampliados, fazendo com que os produtores tenham certeza de que, após finalizada a produção, terão onde vender.
Recentemente, a Prefeitura de Curitiba realizou uma pesquisa e descobriu que na cidade existem cerca de 500 mil consumidores em potencial de orgânicos. A mesma foi feita em função da construção do mercado de orgânicos, que irá funcionar ao lado do Mercado Municipal.
Evento
O II Paraná Orgânico será realizado entre os próximos dias primeiro e três de dezembro, no Parque Newton Freire-Maia (antigo Castelo Branco), em Pinhais. O evento, promovido pelo CPRA, deve reunir produtos da agricultura orgânica familiar paranaense, produtores e pessoas interessadas em aperfeiçoar suas técnicas de cultivo ou que tenham intenção de iniciar suas atividades no sistema orgânico. Serão realizadas oficinas, palestras, dinâmicas de campo e encontros.


