Os credores internacionais da Grécia se reuniram nesta segunda-feira com ministros das Finanças da zona do euro, em uma tentativa de resolver diferenças em relação às reformas econômicas que Atenas deve fazer, diante do crescente risco de atraso nos novos empréstimos para o governo grego e antes das aguardadas negociações sobre um alívio na dívida do país.

O impasse entre os emprestadores europeus – A Comissão Europeia, o Banco Central Europeu (BCE) e o Mecanismo de Estabilidade Europeu, por um lado, e de outro o Fundo Monetário Internacional (FMI) – está centrado no tipo e na escala dos cortes orçamentários e das reformas econômicas que a Grécia precisa fazer para cumprir as metas estabelecidas em seu programa de resgate. Sem um acordo entre as partes, não é possível completar a revisão do programa de ajuda de 86 bilhões de euros (US$ 94 bilhões).

A conclusão da avaliação é um requisito para o país receber mais ajuda e para o início das delicadas conversas sobre o alívio na dívida grega. “As instituições precisam mostrar hoje que elas compartilham o mesmo ponto de vista”, afirmou o chefe da UE para questões econômicas, Pierre Moscovici. Segundo ele, as instituições precisam mostrar que os chefes da missão devem retornar a Atenas com uma visão clara sobre o que é preciso para concluir a revisão o mais rápido possível. Três funcionários da UE confirmaram que os chefes da missão devem retornar a Atenas em 8 de março, um sinal de que está mais perto um acerto entre as posições.

As exigências duras do FMI por uma redução nas despesas fiscais vão além do que as instituições da UE consideram necessário. O Fundo diz que não pode emprestar mais para o país sem que tenha havido um corte radical nos gastos por Atenas ou o perdão de uma grande fatia da dívida – uma questão politicamente sensível em várias capitais da zona do euro, como Berlim. A Grécia oferece aos credores medidas de austeridade equivalentes a cerca de 1% de seu Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, entre elas uma reforma na previdência que evita cortes generalizados nos atuais benefícios para os aposentados. O FMI, porém, diz que são necessários cortes equivalentes a entre 4% e 5% do PIB durante os próximos três anos. A maior parte da economia viria de cortes nas pensões, porque outros gastos públicos já estão no limite e os impostos já estão muito altos, na visão do FMI.

Já autoridades da UE afirmam que o FMI está muito pessimista em suas projeções de crescimento e muito rígido em suas demandas por reformas. O impasse pode se arrastar por mais tempo, já que a Grécia não precisa com urgência de empréstimos antes de julho, quando vencem 3,5 bilhões de euros em sua dívida com o BCE. A urgência, porém, pode aumentar agora que o país luta com a crise de refugiados, que pode pesar sobre o orçamento e pressionar mais o governo de esquerda de Atenas. Fonte: Dow Jones Newswires.