O presidente da CPLF Energia, Wilson Ferreira Jr., acredita que o consumo de energia deve apresentar retração de 3% a 5% em 2015, na comparação com o ano passado. O número, segundo o executivo, considera as indicações de desaceleração da atividade econômica e uma eventual redução do consumo motivada por campanhas de conscientização do governo federal e das distribuidoras. Caso o consumo caia 5%, o risco de haver um racionamento de energia ficaria afastado, na visão de Ferreira.

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“Vemos que o PIB caminha para operar abaixo de zero. No cenário macroeconômico que a gente está, vemos uma queda de 3%. E com o resultado que os consumidores vierem a fazer, virá superior a 3%, podendo chegar a 5%”, afirmou Ferreira, em coletiva de imprensa realizada durante a realização do Seminário Internacional “A Energia na Cidade do Futuro – Visão 2030”, organizado pela companhia.

A queda do consumo, com uma recuperação dos níveis dos reservatórios até o final do período chuvoso, em abril, seria suficiente para evitar um racionamento. Nesse caso, destaca Ferreira, o nível dos reservatórios no País precisaria chegar a um patamar entre 35% e 40% da capacidade de armazenamento.

Ferreira destaca que o problema enfrentado pelo País neste momento é ocasionado pela falta de chuvas. Como a base elétrica brasileira é hidráulica, somente a volta das chuvas poderia amenizar o atual cenário de crise hídrica.

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Questionado se um racionamento poderia amenizar os problemas do setor, já que poderia permitir uma recuperação mais consistente do volume de água nos reservatórios, Ferreira foi taxativo na resposta: “O racionamento é a pior coisa que pode acontecer. Você poupa reservatórios se precisa poupar. Em 2001 não tínhamos alternativa, mas neste momento estamos reduzindo a demanda e estamos adicionando fontes”, disse o executivo, relembrando o problema enfrentado pelo Brasil no início da década passada, quando a falta de chuvas e a inexistência de uma capacidade térmica excedente impediram um ajuste entre oferta e demanda.

Neste momento, pondera Ferreira, a situação é diferente. “Estamos entregando a usina de Santo Antônio e Jirau e projetos eólicos. Neste momento estamos crescendo a oferta e vemos uma ligeira redução da demanda”, disse. Com isso, complementa o executivo, a situação do sistema elétrico nacional poderia chegar ao final de 2015 em condições semelhantes àquelas vistas no final do ano passado. E, com a aproximação de uma nova temporada de chuvas, as chances de recuperação no nível dos reservatórios também seriam maiores.

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