Quatro cooperativas agropecuárias do oeste do Paraná abatem, processam e distribuem 3,3 milhões de frangos por dia. A Cotriguaçu reúne C.Vale, Coopavel, Copacol e Lar, que juntas somam 64 mil associados e ocupam a terceira posição no ranking de exportação de proteína animal do país, atrás de JBS e BRF. As informações são da Gazeta do Povo.
Para evitar gargalos no transporte, a Cotriguaçu consolidou em Cascavel uma estrutura que funciona como coração logístico da região. O armazém do terminal de congelados possui capacidade para 10 mil toneladas de carne e um pátio com 350 tomadas elétricas que mantêm os contêineres refrigerados.
A estrutura atua como amortecedor diante das oscilações do comércio internacional. Em momentos de suspensões temporárias por blocos como a União Europeia, o terminal permite reter a carga até a absorção pelo mercado interno, preservando o ritmo dos frigoríficos.
Terminal movimenta 5 mil contêineres por mês
A operação movimenta mensalmente cerca de 5 mil contêineres, divididos entre transporte ferroviário e rodoviário. A ferrovia transporta composições de 41 contêineres refrigerados até o Porto de Paranaguá em cerca de cinco dias e meio. O modal rodoviário garante entrega no porto em apenas 12 horas para mercados com exigências térmicas rígidas, como o México.
No trajeto entre os frigoríficos e o terminal de Cascavel, o transporte rodoviário opera em sistema contínuo. Acionando apenas cinco caminhões, uma cooperativa consegue realizar 20 viagens diárias.
Gargalo na Serra da Esperança limita escoamento
O escoamento rumo ao litoral enfrenta entraves na infraestrutura pública. O gargalo ferroviário mais crítico está na Serra da Esperança, na região de Guarapuava, onde as composições precisam ser desmembradas em comboios menores para vencer trechos sinuosos e íngremes.
Edson Vidal, gerente do terminal de congelados da Cotriguaçu, explica que são curvas acentuadas e bitola muito estreita que limitam a passagem dos trens. A ferrovia foi construída em 1800 e nunca recebeu manutenção significativa.
O alto nível de ocupação do pátio exige operação ininterrupta de 24 horas por dia. Quando o terminal começou a operar em 2013, movimentava cerca de 200 contêineres por mês. Hoje, são 1.230. Jarbas Hartmann, coordenador de logística da Cotriguaçu, afirma que em dois ou três anos será necessário expandir a estrutura, talvez com outro pátio em outra região.
