O governo vai cortar as emendas de parlamentares e outras despesas de custeio para bancar o custo adicional de um aumento de 7,7% para os aposentados que ganham mais de um salário mínimo. A informação é do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ele também rejeitou a análise de que a sanção do aumento pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja uma derrota da equipe econômica.

Mantega insistiu que o importante é a preservação da meta de superávit primário em 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. “A meta fiscal está garantida”, afirmou. O ministro informou que será feito um corte adicional no Orçamento de R$ 1,6 bilhão. Segundo ele, “o mal maior”, que era o fim do fator previdenciário, foi vetado por Lula.

O líder do governo na Câmara, deputado Candido Vaccarezza (PT-SP), afirmou que a decisão de Lula, de sancionar o aumento de 7,7% para os aposentados que ganham acima de um salário mínimo, levou em conta a avaliação política de que o Congresso Nacional, em caso de uma nova medida provisória (MP) sobre o tema, não aprovaria nada menos que os 7,7%. De outro lado, do ponto de vista econômico, o governo avaliou que seria possível compensar o aumento de despesa com o corte em outros gastos, como emendas parlamentares, preservando a responsabilidade fiscal.

Vaccarezza participou da reunião do presidente com ministros da área econômica para discutir o reajuste. O deputado lembrou que a arrecadação está crescendo e que o governo só concedeu o reajuste porque considera que é possível manter a responsabilidade fiscal, com o ajuste de outras despesas.