Corte do juro foi o adequado para a inflação

Agência Brasil – Arquivo
Henrique Meirelles, presidente do BC: corte menor do juro esteve em análise.

Brasília (AE) – A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) afirma que as incertezas que provocaram o aumento na volatilidade dos mercados internacionais persistem, apesar de essa volatilidade ter sido reduzida nos últimos meses. As incertezas a que a ata faz referência são sobre o futuro da política monetária e da economia norte-americana. ?Há evidências de pressões inflacionárias e os dados recentes mostram queda maior que a esperada nas vendas de imóveis, acentuando temor de desaceleração mais forte na economia norte-americana. Nos últimos dias esse receio provocou volatilidade nos mercados, principalmente nos mercados acionários norte-americanos?, afirma a ata, nos capítulos 54 e 55.

Diante desse cenário, o Copom reafirma, no capítulo 23, que vai se manter ?especialmente vigilante para evitar que a maior incerteza detectada em horizontes mais curtos se propague para horizontes mais longos?. E acrescenta: ?evidentemente, na eventualidade de se verificar uma exacerbação de riscos, que implique alteração do cenário prospectivo traçado para a inflação neste momento, pelo comitê, a estratégia de política monetária será prontamente adequada às circunstâncias?.

Parcimônia

A ata do Copom reafirmou que os próximos passos na implementação da Política Monetária poderão ser dados ?com maior parcimônia?. Ao mesmo tempo, o Copom mantém a palavra ?poderá?, indicando que não necessariamente essa maior parcimônia será efetivada.

A afirmação está no item 22 da ata, que repete, na íntegra, o que foi dito no item 20 da ata da reunião anterior. ?O Copom entende que a preservação das importantes conquistas obtidas no combate à inflação e na manutenção do crescimento econômico, com geração de empregos e aumento da renda real poderá demandar que a flexibilização adicional da política monetária seja conduzida com maior parcimônia. Essa ponderação se torna ainda mais relevante, quando se leva em conta que as próximas decisões de política monetária terão impactos progressivamente mais concentrados em 2007?, afirma a ata, lembrando que há incertezas que cercam os mecanismos de transmissão de política monetária e também que a taxa de juros corrente está menos distante da taxa de juros que deverá vigorar em equilíbrio no médio prazo.

Corte menor

A ata informa, ainda, que a diretoria do Banco Central considerou a possibilidade de reduzir a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto porcentual. Segundo o documento, nessa avaliação foi considerada que o cenário de expansão do nível de emprego e da renda e o crescimento do crédito continuarão impulsionando a atividade econômica, com estímulo adicional dos efeitos do aumento do salário mínimo e dos ?impulsos fiscais? que vêm ocorrendo desde o último trimestre do ano passado.

Os últimos cortes no juro se somam a esses fatores de expansão do nível de atividade. Segundo o Copom, o desempenho favorável da inflação foi o que possibilitou uma queda maior da Selic. ?À luz dessas considerações, o Copom avaliou a conveniência de reduzir a taxa Selic em 25 pontos-base. Apesar de entenderem que diversos fatores respaldariam tal decisão, os membros do comitê concluíram que neste momento uma redução de 50 pontos-base da Selic resultaria em maior adequação das condições monetárias correntes à melhora do cenário prospectivo para a inflação observada entre as reuniões de julho e de agosto?, destaca o documento.

Segundo a nota, o Copom vai avaliar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião para definir os próximos passos da política monetária.

BC prevê reajuste zero para a gasolina este ano

Brasília (ABr) – O Comitê de Política Monetária (Copom) considera que o preço alto do petróleo no mercado internacional tem sido uma ?fonte sistemática de incerteza? nas cotações do produto, inclusive com reflexos de ?tensões geopolíticas?. Como conseqüência, ?o cenário de preços domésticos da gasolina inalterados vem se tornando progressivamente menos plausível?.

O Copom, no entanto, mantém a projeção de reajuste zero para a gasolina no decorrer deste ano, mas sinaliza que a possibilidade de aumento de preço existe e está cada vez mais forte, uma vez que os preços internacionais do petróleo refletem na economia doméstica por meio de cadeias produtivas como a petroquímica e pela deterioração nas expectativas de inflação dos agentes econômicos.

De acordo com a ata, as simulações de correção para os preços internos da gasolina ainda permitem que não haja correção. Nesse segmento de combustíveis, foi mantida também a previsão de reajuste de apenas 0,1% no ano para os preços do gás de bujão.

O BC manteve, ainda, as projeções de 2,7% para correção anual dos preços de telefonia fixa e de menos 0,9% para eletricidade.

No cômputo geral, os preços administrados por contrato, ou monitorados (combustíveis, energia elétrica, telefonia, educação, medicamentos, água, saneamento, transporte urbano e outros) devem aumentar 4,4% em 2006, de acordo com a avaliação prospectiva do Copom, que fica um pouco abaixo da estimativa de 4,5% do boletim Focus, resultado de pesquisa semanal que o BC faz com analistas de mercado sobre tendências dos principais indicadores da economia.

Os preços administrados têm peso de quase um terço na composição do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como parâmetro para a trajetória de metas do governo. Tradicionalmente, os preços administrados têm sido corrigidos acima da inflação dos preços livres, e neste ano estão tendo comportamento mais condizente com a meta de 4,50%, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

A projeção do BC para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é de inflação abaixo da meta de 4,5% este ano. Pelo cenário de referência, também está abaixo da meta a projeção para o IPCA em 2007.

No cenário de mercado, que leva em conta as trajetórias de câmbio e juros, apontadas pelos analistas, a projeção para o IPCA está abaixo de 4,5% para este ano, mas acima da meta de 4,5% para 2007.

Saldos comerciais

A ata diz que há uma tendência de início de uma nova dinâmica (?de ajustamento?) para os fluxos comerciais. Apesar disso, os integrantes do Copom ressaltam que as perspectivas ainda são de continuidade na geração de saldos comerciais ?vultosos? neste e no próximo ano.

A ata destaca que, em julho, as importações em 12 meses atingiram recorde histórico ao alcançarem a marca dos US$ 82,9 bilhões. As exportações, por sua vez, também aumentaram, no mesmo critério, e ficaram em US$ 128,1 bilhões, outro recorde histórico.

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