São Paulo (AE) – O ajuste na tabela do Imposto de Renda a partir de janeiro, que representará corte de até 6,8% na alíquota recolhida atualmente, "é muito pequeno" e terá pouco impacto para os trabalhadores, avalia o presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), Gilberto Luiz do Amaral. Em sua opinião, o governo deveria corrigir pelo menos metade da defasagem acumulada nos anos em que a tabela ficou congelada.

A partir de 1996, ocorreu só uma atualização, há dois anos, de 17,5%. A defasagem acumulada é de 48,5%. "A correção deveria ser de pelo menos 25%", defende Amaral. O ajuste aprovado pelo governo é de 10%. Este índice representará, na prática, cortes na alíquota de 0,38% para quem ganha R$ 15 mil e de 6,8% para quem recebe R$ 3 mil, conforme tabela que será divulgada em breve pela Receita Federal.

Nos cálculos feitos pelo presidente do IBPT, o contribuinte que tem salário de R$ 1,8 mil, por exemplo, terá uma economia de apenas R$ 0,87 ao mês, para quem não tem dependentes. Ele passará a recolher R$ 95,43 de IR, ante R$ 96,30 pela tabela atual. Já para quem ganha R$ 3 mil – faixa que terá o maior benefício -, a economia mensal será de R$ 14,81. O recolhimento cairá de R$ 374,42 para R$ 359,61.

Segundo Amaral, a média geral de redução de recolhimento do IR será de 1,9% para quem não tem dependentes, de 2,65% para quem tem dois dependentes e de 3,21% para quem declara três dependentes. Se a correção fosse de 25%, como ele sugere, a redução média seria de 9%, "o que representaria efetivamente um ganho, principalmente para quem tem renda menor."