Foto: Arquivo/O Estado

Henrique Meirelles, presidente do BC e do Copom.

A convergência da inflação para a meta oficial de 4,5% e a consolidação de um cenário duradouro de estabilidade econômica contribuem para a ?redução progressiva da percepção de risco macroeconômico que vem ocorrendo nos últimos anos?. A observação está contida na ata da reunião que o Comitê de Política Monetária (Copom) realizou na semana passada, divulgada ontem pelo Banco Central.

O Copom reafirma o diagnóstico de que tanto os resultados recentes quanto as projeções de inflação sugerem que, além de conter as pressões inflacionárias de curto prazo, a flexibilização da taxa básica de juros (Selic), adotada a partir de setembro do ano passado, ?vem contribuindo de maneira importante para a consolidação de um ambiente macroeconômico cada vez mais favorável em horizontes mais longos?.

As afirmações traduzem otimismo quanto à continuidade da redução gradativa da taxa de juros, que já cedeu de 19,75% para 15,75%, ao ano, nos últimos seis meses. Principalmente considerando-se que a atividade econômica sinaliza ?consolidação progressiva? de expansão, em ritmo condizente com as condições de oferta, de modo a não pressionar a inflação, como destaca a ata da reunião do colegiado de dirigentes do BC, realizada nos últimos dias 18 e 19.

A ata do Copom enfatiza também que ?o cenário externo permanece favorável?, principalmente no que diz respeito às perspectivas de investimento para a economia brasileira, a despeito das incertezas sobre os preços mundiais do petróleo, que atingiram níveis historicamente elevados, e quanto à trajetória das taxas de juros nos Estados Unidos, Europa e Japão.

Em virtude desse ?cenário benigno para a trajetória da inflação?, como destaca a ata do Copom, a estimativa de inflação para o ano permanece abaixo da meta de 4,5%, fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN); e a projeção de inflação para 2007 também se mantém abaixo da meta, de acordo com as estimativas do BC, mas ligeiramente acima da meta na expectativa dos analistas de mercado e de instituições financeiras, consultados todas as semanas sobre tendências dos principais indicadores da economia.

O Copom avalia que a ?atuação cautelosa? da política monetária tem sido fundamental para aumentar a probabilidade de convergência da inflação para a trajetória de metas, mas ressalta a necessidade de os indicadores prospectivos de inflação continuarem favoráveis, de modo a consolidar o ambiente econômico para juros reais menores no futuro. Isso se verá na próxima reunião do Comitê, agendada para o fim do mês que vem.

Reversão nos aumentos de preços dos combustíveis

Brasília (ABr) – O preço do álcool combustível aumentou 27,56% no primeiro trimestre deste ano, com reflexos imediatos no preço da gasolina, contribuindo com 0,32 pontos percentuais na composição do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Mas, se depender das expectativas do Comitê de Política Monetária (Copom), o produto deixará de exercer pressão inflacionária já a partir deste mês, com o início da safra de cana-de-açúcar, que começou a ser cortada no interior de São Paulo.

Ata da reunião que o comitê realizou na semana passada, distribuída ontem pelo Banco Central, diz que ?é plausível supor? que o movimento de alta dos preços do álcool se reverta, ainda que parcialmente, nos próximos meses.

No entender dos dirigentes do Banco Central, a ata demonstra preocupação com a ?forte alta? dos preços do petróleo no mercado internacional. A despeito disso, o Copom manteve a projeção de aumento ?zero? para gasolina e gás de cozinha, no acumulado do ano, por acreditar em reversão dos reajustes já praticados nos postos de gasolina.

Foram mantidos também, os prognósticos de 3,1% para reajuste acumulado da telefonia fixa no ano e de 3,6% para correções de preços de energia elétrica. Continua no mesmo patamar a projeção de 4,6% para o reajuste do conjunto de preços administrados por contrato ou monitorados (combustíveis, energia elétrica, telefonia, água, saneamento, medicamentos, transporte público e outros), que tiveram peso de 33,32% no total do IPCA de março.

O Copom demonstra menos otimismo, porém, quanto à projeção dos preços administrados para 2007 e prevê reajuste conjunto de 6,2%. Bem maior do que os 4,2% estimados pelos economistas do setor privado, indicados no boletim Focus desta semana, distribuído pelo Banco Central.