Copom mantém conservadorismo com o juro

Rio (AE) – Mesmo com a torcida por um corte maior, o Banco Central decidiu diminuir o ritmo de redução da taxa básica de juros. O Copom (Comitê de Política Monetária) anunciou no final da tarde de ontem que a Selic caiu de 13,25% ao ano para 13%. Nas últimas cinco reuniões, o corte foi de meio ponto percentual.

 Parte do mercado apostava em um corte de 0,25 ponto percentual. Outra ala, porém, esperava redução de 0,5 ponto. Com o anúncio do PAC (Programa para Aceleração do Crescimento), alguns analistas reforçaram a expectativa de manutenção do ritmo de corte da taxa, já que o juro menor favorece o crescimento da economia. Outros, entretanto, avaliaram que como as medidas do pacote são expansionistas, o Copom poderia ser mais cauteloso.

No dia do anúncio das medidas, o ministro Guido Mantega (Fazenda) direcionou um comentário ao presidente do BC, Henrique Meirelles. ?O mercado está esperando uma redução da taxa Selic. A continuação (do processo de queda), viu, Meirelles??, disse o ministro na segunda-feira. Ontem, ele afirmou que o comentário foi apenas uma ?brincadeira?.

Apesar da expectativa por um corte maior, na ata da última reunião do ano, realizada em novembro, o Copom já havia sinalizado que poderia reduzir o ritmo de redução da Selic.

A cautela do BC ocorre em um momento em que não há nenhum temor de choque externo ou interno que possa afetar a economia a ponto de colocar em risco a meta de inflação, que é um IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 4,5%, com margem de dois pontos para cima ou para baixo. No ano passado, os preços subiram 3,14%.

O nível de utilização da capacidade instalada da indústria está no mesmo patamar de um ano atrás, mesmo com o aumento das vendas. Segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria), era de 82% em novembro de 2006. A manutenção desse nível mostra que não há pressão sobre a capacidade de produção das empresas. Em setembro de 2004, esse temor fez com que o Copom aumentasse os juros.

Os analistas também não apostam em um forte crescimento da economia, o que poderia causar pressão sobre os preços. A aposta é que o PIB (Produto Interno Bruto) tenha uma expansão de 3,5% neste ano. Menor que o previsto pelo BC no ?Relatório de Inflação? – 3,8%. Mas a aposta maior ainda é a que consta do PAC – 4,5%.

O Copom divulga na quinta-feira da próxima semana a ata da reunião ocorrida ontem e hoje.

Nota

Na nota distribuída ao final da reunião (que durou mais de três horas), o Comitê diz: ?Dando prosseguimento ao processo de flexibilização da política monetária, o Copom decidiu reduzir a taxa Selic para 13% ao ano, sem viés, por 5 votos a favor e 3 votos pela redução da taxa Selic em 0,50 ponto. Diante das incertezas associadas ao mecanismo de transmissão da política monetária, e considerando que os efeitos das reduções de juros desde setembro de 2005 ainda não se refletiram integralmente na economia, o Copom avalia que a decisão contribuirá para aumentar a magnitude do ajuste a ser implementado?.

Entenda o que vem a ser a Selic

Selic é a sigla para Sistema Especial de Liquidação e Custódia, criado em 1979 pelo Banco Central e pela Andima (Associação Nacional das Instituições do Mercado Aberto) com o objetivo de tornar mais transparente e segura a negociação de títulos públicos.

O Selic é um sistema eletrônico que permite a atualização diária das posições das instituições financeiras, assegurando maior controle sobre as reservas bancárias.

Hoje, a Selic identifica também a taxa de juros que reflete a média de remuneração dos títulos federais negociados com os bancos e é referência para os juros de toda a economia.

Corte tímido provoca reações adversas

O presidente do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo da Rocha Loures, avaliou que, para haver crescimento no Brasil, é preciso dinamizar a economia com a redução de, no mínimo, três pontos percentuais da taxa Selic até o fim deste ano. O comentário do presidente do Sistema Fiep foi feito ontem, logo após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciar a redução de 0,25% da taxa básica de juros. ?A grande reforma que deve ser feita no Brasil é na macroeconomia. É urgente que o Banco Central se preocupe agora em aperfeiçoar a política cambial?, considerou Rocha Loures. De acordo com ele, cada 1 ponto percentual de redução na taxa básica de juros representa uma economia de R$ 10 bilhões para o Tesouro Nacional, com a diminuição no pagamento de juros da dívida.

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) classificou como ?decepcionante? o corte na taxa básica de juros, para 13% ao ano, sem viés. ?Dezenas de notas oficiais emitidas após as decisões do Copom jamais sensibilizaram os integrantes desse restrito comitê, surdo aos apelos dos trabalhadores e do setor produtivo por uma queda acelerada da taxa básica de juros?, diz a nota da CUT, assinada pelo presidente nacional da entidade, Artur Henrique.

O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, também criticou a decisão do Copom. Em nota, o sindicalista diz que a decisão ?é um banho de água fria no morno Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).? Mais uma vez, acrescenta ele, o governo frustra os anseios dos trabalhadores com um tímido corte na taxa básica de juros.

Embora a aposta em um corte de 0,25 ponto percentual da taxa básica de juros (Selic) tenha ganhado força nos últimos dias, ela estava longe do consenso. Nas últimas semanas, analistas travaram uma guerra de argumentos para justificar uma redução de 0,25 ou de 0,50 ponto percentual. Daqui para frente, porém, não há polêmica: a avaliação unânime entre eles é de que a tendência para a Selic ainda é de queda.

No último Relatório de Mercado divulgado pelo Banco Central (BC) por exemplo, a projeção dos especialistas é de que o juro básico da economia estará em 11,5% ao ano em dezembro.

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