A Copel divulgou ontem o balancete referente ao terceiro trimestre de 2003, que revelou uma redução na inadimplência e uma pequena variação no lucro do período. O créditos foram recuperados, principalmente, pela reversão do aumento autorizado pela Aneel em desconto para pagamento em dia, conforme determinação do governador Roberto Requião.

O lucro acumulado pela companhia desde o início do ano foi de R$ 260,3 milhões, já nos primeiros nove meses de 2002 a empresa contabilizava prejuízo de R$ 49,9 milhões. O resultado do balanço trimestral mostrou uma redução de pouco mais de 2% no lucro líquido da empresa, no valor de R$ 5,8 milhões.

Os números da Copel no período julho a setembro mostram que houve lucro operacional de R$ 57,7 milhões, mas que acabou neutralizado pelo aumento das despesas, com peso adicional da desvalorização do real perante o dólar. A receita líquida da concessionária foi 10,7% superior à registrada no trimestre anterior, fechando em R$ 756,6 milhões, e o total de eletricidade comercializada (mercado próprio mais consumidores livres) cresceu 1,6% na mesma comparação.

Inadimplência cai

Para o diretor de finanças e de relações com investidores da estatal, Ronald Ravedutti, o resultado do trimestre reflete principalmente a continuidade de provisionamento para a compra de gás destinado à UEG Araucária, além da decisão da Administração de incluir provisões de juros do Refis e de perdas em incentivos fiscais.

Ravedutti observou, contudo, que já se notam os efeitos positivos decorrentes do acordo com a Cien, que resultou na renegociação dos contratos de compra de energia oriunda da Argentina. “Além disso, houve uma expressiva redução nos níveis de inadimplência com a Copel, cujo total caiu de R$ 187 milhões para R$ 122 milhões no trimestre”, explicou.

A recuperação desses créditos em atraso, basicamente contas de luz vencidas e não pagas, é conseqüência da transformação do reajuste tarifário autorizado no final de junho pela Aneel (de 25,27% em média) em desconto para os consumidores pontuais nos seus pagamentos. “Com base nas negociações que estão em andamento, estamos antevendo um nível ainda menor de inadimplência ao final do ano”, admitiu Ravedutti.

Consumo

Os números contabilizados pela Copel no balancete, revelam que o consumo de energia elétrica no mercado atendido diretamente pela empresa, incluindo consumidores livres, cresceu 0,8% no total acumulado entre janeiro e setembro de 2003, em comparação ao mesmo período do ano passado. Ao todo, foram 13.986 gigawatts-horas.

O setor comercial registrou a maior expansão com 4,9% de acréscimo no consumo, vindo em seguida o segmento rural com 2,6%. Entre as residências, o aumento chegou a 1,8% e no setor industrial o consumo declinou 5,0%. Há duas explicações para o fato, segundo a Copel: o baixo nível de atividade econômica no país durante o período e a saída de alguns clientes industriais que se tornaram consumidores livres.

A Companhia atende diretamente a 3.071.361 ligações, distribuídas por 393 municípios e 1.018 localidades (distritos e povoados). Seus serviços cobrem cerca de 98% do mercado consumidor paranaense por meio de 165 mil km de linhas de distribuição (o suficiente para dar quatro voltas em torno do planeta).

Receitas e dívidas

As receitas líquidas da Copel em 2003 totalizaram R$ 2.153 milhões até 30 de setembro, ou 9,4% mais que o montante registrado no mesmo período de 2002. O crescimento é o resultado da conjugação do reajuste tarifário de 10,96% aplicado a partir do final de junho de 2002 com o crescimento de 0,8% nos volumes de eletricidade consumida.

No acumulado deste ano, o resultado operacional da Copel atingiu ao final de setembro R$ 473,7 milhões positivos, enquanto na mesma época de 2002 o resultado era de R$ 59,9 milhões negativos.

O seu endividamento total, de R$ 1,95 trilhão, representava no fim do trimestre um comprometimento equivalente a 39,2% do patrimônio líquido. Do total, R$ 887,8 milhões são compromissos em moeda estrangeira (dos quais R$ 67,9 milhões de curto prazo, isto é, vencíveis no horizonte de 12 meses) e R$ 1,06 trilhão em moeda nacional (R$ 80,6 milhões de curto prazo).

Os ativos totais somavam R$ 9,036 trilhões e o patrimônio líquido, R$ 4,986 trilhões.