Ravedutti, Pessuti e Griebeler: efeito positivo.

A Copel (Companhia Paranaense de Energia) registrou lucro líquido de R$ 266,1 milhões no primeiro semestre de 2003. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Lajida) foi de R$ 359,9 milhões. Três fatores impactaram o resultado financeiro, segundo o diretor de Finanças e Relações com Investidores, Ronald Thadeu Ravedutti: a renegociação do contrato com a Cien (Companhia de Interconexão Energética), que resultou num efeito líquido positivo de R$ 246,1 milhões antes dos efeitos tributários; a reversão dos valores provisionados para compra de potência da UEG Araucária, baseada em parecer jurídico externo; e a valorização de 18% do real frente ao dólar.

De acordo com Ravedutti, o lucro divulgado ontem mostra que “o governo do Estado tem grande preocupação com o resultado da companhia, com o resultado que pode ser transferido para seus acionistas e com o resultado social”. “Se não houvesse a renegociação com a Cien, em outubro a empresa estaria fechando as portas, como disse o governador”, afirmou. Em 2002, a Copel contabilizou prejuízo de R$ 320 milhões. No primeiro trimestre, o resultado foi negativo em R$ 15,5 milhões.

“Jornais e TVs nacionais chegaram a colocar o risco Requião, por causa das medidas tomadas pelo governador em defesa do povo e dos interesses do Paraná”, salientou o governador em exercício Orlando Pessuti, acrescentando que “agora podemos comemorar a repactuação do acordo com a Cien”. “Foi uma grande negociação conduzida pela Copel, através do presidente Paulo Pimentel. O episódio mostra que o governador estava correto na maneira que agiu, pois se não suspendesse os pagamentos dos contratos (com a Cien e a UEG Araucária), estaria deixando a empresa em condição de pré-falência”, declarou Pessuti.

Renegociações

Após sete meses de negociação, a Copel concluiu na última segunda-feira a renegociação de dois contratos firmados em dezembro de 99 para aquisição de 800 megawatts de energia da Cien. “O dispêndio previsto para 2003 foi reduzido de R$ 750 milhões para R$ 312 milhões (incluindo as faturas pendentes no período de janeiro a julho)”, informou o presidente em exercício da Copel, Gilberto Griebeler. O volume de energia adquirida foi reduzido à metade (400 MW), a tarifa baixou de R$ 99 para R$ 71 por MWh, e a vigência do contrato caiu de 20 para 7 anos, com opção de continuidade em 2009.

Foi retirada a cláusula take or pay (que obrigava o pagamento até pela energia não consumida) e a indexação deixa de ser feita pelo dólar, adotando mecanismos de correção reconhecidos pela Aneel, que permitirão a homologação do contrato. Para o presidente em exercício da Copel, o resultado favorável da negociação com a Cien trouxe credibilidade para a companhia no cenário nacional. “As ações da Copel estão sendo bem recomendadas pelos analistas”, avalia Ravedutti.

A Copel também anunciou ontem a conclusão, em 30 de julho, do contrato de compra de energia da Usina de Itiquira, em Rondonópolis (MT). As principais modificações foram a redução do custo de compra (de R$ 82 para R$ 66), redução das faturas pendentes desde janeiro para um terço do valor original e a titularidade dos 107 MW médios de energia firme comprados da usina durante 11 anos.

Os consumidores também sairão beneficiados pelo acordo com a Cien, mas apenas em junho do ano que vem, época da revisão tarifária anual da companhia. “A Copel tem condições de propiciar, no próximo reajuste, a menor tarifa do Brasil, como quer o governador Roberto Requião”, disse Griebeler.

Desempenho

De acordo com o balanço divulgado ontem, as receitas líquidas da Copel totalizaram R$ 1,397 bilhão no primeiro semestre, um aumento de 11,7% sobre o mesmo período de 2002. As receitas brutas cresceram 15%, atingindo R$ 2,008 bilhões. O consumo de eletricidade na área de concessão da Copel teve incremento de 0,7%, passando para 9.279 gigawatts-hora. Por segmento, as variações foram: comerical (4,6%), rural (2,8%), residencial (1,7%) e industrial (-4,4%).

O número de ligações feitas pela Copel chegou a 3.053.761, 2,8% mais que no primeiro semestre de 2002. O ativo da Copel somava R$ 8,812 bilhões em 30 de junho de 2003, com um patrimônio líquido de R$ 4,992 bilhões. O endividamento total era de R$ 1,954 bilhão. Nos seis meses iniciais deste ano, a Copel investiu R$ 123,3 milhões.

Como o governador Roberto Requião transformou o reajuste tarifário de 25,27% autorizado pela Aneel em desconto para os consumidores que pagarem em dia, a tendência seria a receita cair no segundo semestre. Porém em função da queda da inadimplência, a diretoria da Copel prevê pouco impacto negativo. Segundo Griebeler, a inadimplência hoje soma R$ 180 milhões. Só as prefeituras devem R$ 96 milhões, dos quais R$ 73 milhões estão em negociação e provavelmente serão zerados até o final do ano, conforme o presidente em exercício. No segmento residencial, cujo índice de inadimplência gira em torno de 5%, os débitos somam R$ 8 milhões.com revisões de contrato