A Copel fechou o primeiro trimestre de 2004 com um lucro líquido de R$ 89,7 milhões, resultado bem diferente do registrado em idêntico período do ano de 2003, quando a empresa contabilizou prejuízo de R$ 15,5 milhões. Basicamente, a diferença do desempenho é conseqüência da renegociação dos contratos para compra de energia da Cien e Usina de Itiquira, e do não-provisionamento de verbas para fins do contrato de compra de energia da Usina a Gás de Araucária, atualmente em discussão na Justiça.

Esses desembolsos oneraram pesadamente a rubrica “despesas operacionais” no balancete de 2003, que registrou R$ 790,3 milhões ao final do primeiro trimeste. No mesmo período deste ano, o total da rubrica ficou em R$ 718,1 milhões já considerando o crescimento das despesas com pessoal resultante da admissão de novos profissionais para fazer frente à redução de serviços terceirizados. A redução nos valores dessa rubrica chegou a 9,1%.

A Copel continua provisionando os valores relativos à compra de gás natural para a Usina Termelétrica de Araucária, tendo contabilizado no primeiro trimestre para esse fim R$ 75 milhões.

Redução do desconto

Em comunicado dirigido ao mercado investidor, o diretor de Finanças e de Relações com o Investidor, Ronald Ravedutti, diz que os resultados da Copel neste trimestre “refletem, principalmente, a redução do desconto concedido aos consumidores que mantêm seus pagamentos em dia, ocorrido a partir de 1.º de janeiro de 2004, com repasse de 15% em média na tarifa de fornecimento”.

Esse desconto a que aludiu o diretor vinha sendo praticado pela Copel como um estímulo à pontualidade no pagamento da conta de luz. Em junho de 2003, a companhia totalizava R$ 187 milhões em contas vencidas há mais de 15 dias e não pagas. Ao final daquele mês, a Agência Nacional de Energia Elétrica autorizou um reajuste médio de 25,27% nas tarifas da Copel. Por iniciativa do governador do Estado, Roberto Requião, essa variação foi integralmente neutralizada até 31 de dezembro sob a forma de desconto para o cliente pontual e, a partir de 1.º de janeiro, de forma parcial.

Como resultado, ao final de março de 2004 o total de contas vencidas há mais de 15 dias e não pagas era de R$ 92,1 milhões, o equivalente a 2,3% de um mês de faturamento, índice bastante próximo à média histórica de inadimplência da companhia.

Crescimento do consumo

Paralelamente à variação nas tarifas, o crescimento do consumo de eletricidade também favoreceu o resultado financeiro da Copel no trimestre. Segundo a empresa, seu mercado total (distribuição direta mais consumidores livres) cresceu 1,4% na comparação com os três primeiros meses de 2003, passando de 4.647 GWh (gigawatts-hora) para 4.712 GWh. Os percentuais mais significativos de crescimento foram registrados nas classes rural (6,4%) e comercial (5,0%).

O efeito do maior consumo conjugado à redução do desconto pela pontualidade elevou a receita operacional líquida da Copel em 23,2%: ela subiu de R$ 713,7 milhões em 2003 para R$ 879,6 milhões em 2004.

Os analistas da Copel explicam que a elevação do consumo no meio rural é reflexo do aumento das exportações de produtos agrícolas, que melhorou os ganhos dessa parcela da população, permitindo-lhe agregar mais equipamentos elétricos na propriedade e em casa. Também contribuiu para tal desempenho o maior número de propriedades ligadas pela Copel, cujo total cresceu 3,4% em um ano. Já o aumento de consumo no comércio é justificado pela modernização do setor e pela abertura de novos pontos de venda em todo o Estado: em um ano, a Copel realizou 6.122 novas ligações comerciais no Paraná.

O consumo de energia elétrica residencial manteve-se praticamente estável, com discreta elevação de 0,5%, refletindo hábitos mais racionais e austeros no uso da eletricidade em casa. E nas indústrias houve decréscimo de 1,2% no total de eletricidade distribuída pela Copel, reflexo da migração de alguns clientes da categoria de consumidor cativo para a de consumidor livre. No entanto, o suprimento a consumidores livres pela Copel cresceu 4,2%, evidenciando a competitividade da companhia e sua disposição em disputar esse mercado com os demais agentes, ainda que com uma série de restrições ditadas pelas atuais regras do setor elétrico.