Economia

Copa do Mundo pode aumentar apostas esportivas em 50% no mundo

Ilustração sobre economia e finanças com a logo da Tribuna do Paraná no canto superior esquerdo. A imagem mostra moedas empilhadas, uma calculadora, cédulas de real, gráficos financeiros, indicadores de crescimento e um caderno com relatórios. Ao fundo, aparece um prédio institucional desfocado com a bandeira do Brasil, simbolizando decisões econômicas, mercado financeiro, impostos, programas governamentais e economia popular. Design clean, moderno e voltado para conteúdos de notícias econômicas.
Decisões econômicas, inflação e mercado: entenda como os rumos da economia afetam o seu dia a dia. Foto: Imagem criada com IA.

A Copa do Mundo de 2026 pode aumentar em pelo menos 50% o volume global de apostas esportivas em comparação com a edição de 2022, segundo pesquisa da Softswiss, empresa multinacional de tecnologia para plataformas de jogos sediada em Malta. O levantamento aponta que as apostas podem movimentar cerca de US$ 52 bilhões, contra US$ 35 bilhões há quatro anos. As informações são da Agência Brasil.

O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) alertou que eventos esportivos de grande mobilização emocional ampliam a exposição da população à publicidade de casas de apostas online, as chamadas bets, atingindo não apenas apostadores habituais, mas também consumidores ocasionais e pessoas em situação de vulnerabilidade. Desde 9 de junho, dois dias antes da abertura da Copa, os brasileiros já gastaram cerca de R$ 530,21 milhões em bets, segundo dados do Placar das Bets, plataforma de monitoramento criada pela empresa de análise de dados Klavi.

O formato ampliado do torneio, que passou de 32 para 48 equipes e de 64 para 104 partidas, é um dos principais motores do crescimento esperado, conforme Alexander Kamenetsky, diretor de Operações da Softswiss. Estimativas do setor indicam que apostadores brasileiros podem responder por aproximadamente 10% do volume global de apostas, percentual que pode aumentar caso a seleção chegue às fases decisivas da competição.

Idec defende regras mais rígidas para publicidade

Para o Idec, a expectativa de crescimento das apostas esportivas reforça as preocupações com os impactos negativos da expansão das bets no Brasil, legalizadas em 2018 e regulamentadas em 2023. O instituto defende que o Supremo Tribunal Federal (STF) deveria declarar inconstitucionais as leis que permitiram os jogos e apostas online. Enquanto isso não ocorre, o Idec entende que as regras atuais para publicidade de apostas esportivas são insuficientes para proteger adequadamente a população.

O discurso publicitário frequentemente minimiza efeitos concretos já identificados no Brasil, como superendividamento, perda de renda, comprometimento do mínimo existencial e impactos relevantes à saúde mental, segundo o instituto. A Confederação Nacional do Comércio (CNC) sustenta que, de janeiro de 2023 a março de 2025, a inadimplência dos consumidores atribuída a gastos com jogos e apostas retiraram R$ 143 bilhões do comércio varejista.

Especialista propõe campanhas permanentes de educação financeira

Ahmed El Khatib, doutor em finanças e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), concorda que a ligação emocional com o futebol está sendo instrumentalizada para incentivar as pessoas a apostarem. Segundo ele, grandes eventos esportivos despertam emoções que podem reduzir os freios racionais e deixar os torcedores mais vulneráveis ao que a psicologia classifica como ilusão de controle, quando as pessoas superestimam suas capacidades de prever os resultados.

O professor propõe a realização de campanhas permanentes de educação financeira e de esclarecimento quanto aos mecanismos dos jogos de apostas, além de regras mais rígidas para a publicidade, proibindo aquelas associadas a promessas de enriquecimento. Ele também sugere obrigar as empresas de apostas a utilizar inteligência artificial para monitorar o comportamento dos apostadores, identificar os compulsivos e suspender o acesso automaticamente. A Agência Brasil entrou em contato com a Associação de Bets e Fantasy Sport (Abfs), mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.

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