Treinamento deve ser o principal foco de hotéis, bares e restaurantes de Curitiba, nos próximos anos, para receber, de forma adequada, turistas e profissionais que chegarão à cidade para acompanhar jogos da Copa do Mundo de 2014.

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Para poderem oferecer produtos e serviços de nível internacional até alguns anos antes do evento, os setores já estão planejando como irão qualificar sua mão-de-obra, antes até de pensarem em infraestrutura. A preparação, para alguns, já está bem definida e deve começar nos próximos meses.

Para o presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Curitiba e Região Metropolitana (Sindotel), Marco Antonio Fatuch, como a capital paranaense já tem, atualmente, o terceiro maior parque hoteleiro do País, com cerca de 20 mil leitos, o próprio aumento natural de vagas já é suficiente para receber turistas durante o evento. Até 2014, segundo ele, deve haver um incremento de 4 mil leitos, sem considerar os investimentos para a Copa.

“O ideal é até que não haja crescimento além do natural, até para que depois da Copa não haja uma crise por falta de demanda”, diz Fatuch, que esta semana esteve em Foz do Iguaçu em um evento do setor, em que a Copa foi o principal tema. “Se o crescimento é normal e evolutivo, é bem-vindo.”

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Assim, a principal preocupação dos estabelecimentos passa a ser em qualificar mão-de-obra. No caso dos hotéis, os cursos de línguas estrangeiras para funcionários devem estar entre as primeiras medidas.

“Estamos planejando cursos gratuitos para empregados dos hotéis associados. Eles terão aulas de francês, inglês, alemão e espanhol”, informa o presidente do Sindotel. Camareiras e porteiros deverão ser os primeiros a frequentar as aulas.

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“Poucos sabem, mas os hóspedes conversam muito com as camareiras”, justifica. Os cursos, segundo ele, devem até ser estendidos a taxistas. “O profissional precisa ter noções básicas de inglês e espanhol, pelo menos, para entender o turista, e se fazer entender também”, diz.

Hotéis de outras cidades paranaenses também deverão, conforme Fatuch, treinar seus funcionários, principalmente para receber jogadores e comissões técnicas das equipes.

“Praticamente nenhuma seleção deve se hospedar em Curitiba. É possível que fiquem em um raio de 50 ou 100 quilômetros da cidade”, prevê, lembrando que, antes do início do torneio, há a possibilidade de outras cidades receberem os times. “Há um trabalho em Maringá, por exemplo, para que, se a seleção japonesa se classificar, fique na cidade.”

Cardápios

No caso de bares e restaurantes, a preocupação atual é a mesma: qualificação. O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Paraná (Abrasel-PR), Marcelo Pereira, diz que, para receber um público internacional, que vem à cidade com cultura, idioma e exigências diferentes, há muito a ser feito pelos estabelecimentos. “A quantidade de locais é suficiente. Mas é preciso melhorar muito o atendimento, a infraestrutura e a gestão de muitos deles”, frisa.

No que se refere a idiomas, além do treinamento dos funcionários, que deverão, para Pereira, estar treinados pelo menos em espanhol e inglês, os estabelecimentos também terão que adequar seus cardápios. A Associação, conta ele, já está preparando orientações para que os bares e restaurantes traduzam seus menus adequadamente para até sete línguas.

O presidente da Abrasel-PR lembra, ainda, que a qualidade dos serviços terá que ser compatível com as exigências dos turistas, e para isso a preparação é demorada.

“Parece que é bastante tempo até 2014, mas vai passar muito rápido. O ritmo at,é lá será intenso”, observa. Fora isso, Pereira afirma que os bares e restaurantes só têm a ganhar com a Copa, em todos os sentidos. “Além dos investimentos na cidade, o ganho cultural do setor será enorme, só pela oportunidade de conviver com os turistas internacionais”, conclui.

Profissionalização do trabalhador será indispensável

Uma previsão mais detalhada ainda é impossível, mas que o comércio e os serviços paranaenses tendem também a ganhar com o fato de Curitiba ser uma das subsedes da Copa de 2014, não há dúvidas.

Mas, para investir com base no evento, é necessário muito planejamento e, ainda, apostar no desenvolvimento da região após o apito final do último jogo realizado na capital.

O presidente da Federação do Comércio do Estado do Paraná (Fecomercio-PR), Darci Piana, que é integrante do Comitê para a Copa do Mundo, ressalta o ganho em infraestrutura, mercado de trabalho, preparação de pessoas e manutenção de um alto nível de formação profissional. Ele afirma que a Copa deverá trazer “um salto de qualidade tanto pessoal quando na oferta de trabalho para o paranaense em geral”.

Para o economista Gilmar Mendes Lourenço, coordenador do curso de Economia da FAE, em um primeiro momento os grandes beneficiados com a Copa, na iniciativa privada, serão os envolvidos com a construção civil, já que se preveem investimentos de R$ 4,5 bilhões em obras.

“Nos próximos 12 a 18 meses, já teremos investimentos em infraestrutura e em equipamentos urbanos. Vai haver uma grande demanda do poder público ao setor privado. E isso vai gerar emprego e renda”, analisa.

Lourenço não tem dúvidas de que ocorrerá um grande aquecimento da atividade econômica em Curitiba, e até em outros locais do Estado. A intensidade, porém, dependerá de quais seleções jogarão na cidade. “Algumas, como Itália, Alemanha ou Polônia seriam mais atraentes para a região, por conta da colonização, podendo atrair público brasileiro”, nota.

Em relação à rede hoteleira, o economista lembra que boa parte já operava, nos últimos anos, com uma significativa capacidade ociosa que, para ser ocupada, dependia de eventos, principalmente de negócios.

“Como hoje a cidade vem sediando eventos com maior frequência, a rede se adequou para isso”, avalia. Para a Copa, porém, Lourenço acredita que a capacidade tenha que ser ampliada e a rede, em geral, modernizada.

Um segundo idioma será muito importante

Se a qualificação profissional será peça chave na preparação de Curitiba para a Copa de 2014, é de se esperar um aumento na demanda por cursos promovidos por entidades como o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial do Paraná (Senac-PR).

Logo após a confirmação de Curitiba como uma das subsedes do evento, a organização já avisou que está preparada para oferecer cursos especiais para ajudar a melhorar o atendimento do comércio a moradores e turistas.

O Senac-PR anunciou, em comunicado à imprensa, que a grade atual de cursos deverá ser ampliada para preparar profissionais de restaurantes, hotéis, lanchonetes, balcões de loja ou até da mais alta gastronomia.

A entidade também informou que vê na realização da Copa em Curitiba uma “excelente oportunidade para intensificar o seu trabalho de formação”. De acordo com o diretor-regional da entidade, Vitor Monastier, cursos de idiomas como o francês, inglês, espanhol, hindi e mandarim, deverão ser de grande utilidade para quem quer se inserir no mercado de trabalho.