O coordenador do programa econômico de Lula, José Sergio Gabrielli, classificou como fake news o diagnóstico de crise fiscal no Brasil. A declaração contraria os esforços do ministro da Fazenda, Dario Durigan, que tenta convencer o mercado financeiro de que o governo fará ajustes nas contas públicas caso o presidente seja reeleito. As informações são da Gazeta do Povo.
Gabrielli afirmou que não há motivo para pânico com as contas públicas. Ele aponta o baixo desemprego, a inflação em queda e as reservas internacionais elevadas como sinais de que não existe emergência fiscal. Dias após a declaração, o Banco Central divulgou que a dívida pública atingiu 82,5% do PIB em julho, o patamar mais alto desde abril de 2021, durante a pandemia.
O ex-presidente da Petrobras defende a expansão dos gastos públicos, o aumento de impostos sobre os mais ricos e mecanismos de controle cambial. Para ele, o problema central está nos juros altos, atualmente em 14%, que pressionam a dívida. Gabrielli rejeita medidas de contenção de despesas obrigatórias, como limitar os aumentos reais do salário mínimo ou alterar os pisos constitucionais de saúde e educação.
Durigan assume papel de porta-voz junto ao mercado
O ministro Durigan tem vindo a público para rechaçar as propostas de Gabrielli, afirmando que elas não foram validadas pelo PT, pela Fazenda ou por Lula. Ele rejeitou controlar a movimentação de capitais e garantiu melhorar o fiscal, custe o que custar. Durigan também afirmou que Lula pretende, em eventual quarto mandato, rever despesas obrigatórias e criar novas travas para conter os gastos.
O ministro não se manifestou sobre a afirmação de que a crise fiscal seria fake news. Mas também rejeitou a ideia de que o país esteja diante de uma crise econômica. A contradição entre os dois representantes do governo evidencia a dificuldade da campanha em apresentar um discurso coeso sobre responsabilidade fiscal.
Analistas apontam falta de compromisso específico com ajuste
Marcelo Faria, do Instituto Liberal de São Paulo, afirma que as contradições evidenciam um problema interno da campanha. O compromisso genérico existe, mas o específico não. Em agosto, Durigan ventilou a redução do limite de crescimento real dos gastos federais de 2,5% para 1,5%, mas essas medidas não foram incorporadas ao programa oficial entregue ao TSE.
Carlos Henrique, assessor estratégico da Freex Corretora de Câmbio, avalia que o maior problema do programa é apostar no crescimento futuro e no aumento da arrecadação, em vez de apresentar reformas para conter as despesas. Para Alexandre Manoel, da Global Analytics, os sinais dados pelo presidente não indicam disposição para um ajuste estrutural. Os donos do capital já perceberam isso, afirma.
O arcabouço fiscal apresentado pelo governo em 2023 previa zerar o déficit em 2024 e alcançar superávit de 1% do PIB em 2026. As metas foram alteradas, e o superávit foi empurrado para 2028. Enquanto isso, a dívida bruta chegou perto de 82% do PIB.
