O cooperativismo brasileiro reúne 29,02 milhões de pessoas em cerca de 4,4 mil cooperativas ativas, que movimentam R$ 848,37 bilhões em ingressos e somam R$ 1,60 trilhão em ativos. O modelo gera 613.375 empregos diretos no país. As informações são da Gazeta do Povo.
José Luiz Tejon, especialista em marketing do agronegócio e autor de 35 livros, defende que o cooperativismo é o invento mais civilizatório da humanidade. Segundo ele, o sistema organiza pessoas em torno do bem coletivo, diferente da simples cooperação, que também pode servir ao mal.
Cooperativas agrícolas respondem por 55% da produção nacional
No agronegócio estão algumas das maiores cooperativas do país em faturamento. Elas reúnem cerca de 1,2 milhão de famílias e respondem por aproximadamente 55% da produção brasileira. Tejon explica que as cooperativas oferecem aos produtores o que eles dificilmente conseguiriam sozinhos: organização da produção, educação, agregação de valor, comercialização e infraestrutura.
O especialista teve seu primeiro contato com o cooperativismo em 1976, aos 22 anos, quando trabalhava na Jacto. Desde então, passou a enxergar o modelo como caminho para gerar desenvolvimento e criar condições para que todos possam prosperar.
Educação para cooperação deve começar na infância
Tejon afirma que a sucessão começa no berço e que a educação para a cooperação é vital desde a infância. Para ele, os jovens precisam encontrar oportunidades, acesso ao conhecimento e condições para participar do desenvolvimento de suas comunidades.
O especialista alerta que crises em cooperativas aparecem quando há erros graves de gestão ou quando dirigentes privilegiam resultados imediatos em vez de pensar no longo prazo. Uma cooperativa precisa de lideranças éticas que compreendam que a responsabilidade não se limita aos interesses individuais.
O Brasil tem cerca de 5,5 milhões de produtores, e aproximadamente 4,5 milhões estão fora do mercado e da ciência. Tejon defende que o cooperativismo pode ajudar a incluir esses produtores, reunindo pessoas e criando estruturas que ampliem o acesso à tecnologia e ao desenvolvimento.
