O Sistema Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) apresentou na COP31, realizada entre 9 e 20 de novembro em Antália, Turquia, uma defesa pela valorização das práticas ambientais já adotadas no país e pelo reconhecimento de métricas adequadas aos biomas tropicais. A entidade representa 4.400 cooperativas, 29 milhões de associados e mais de 613 mil empregos diretos em 3.425 municípios brasileiros. As informações são da Gazeta do Povo.
O coordenador de Sustentabilidade da OCB, Alex Macedo, destacou que a conservação ambiental precisa gerar retorno econômico real para os produtores. Segundo ele, a agenda verde deve ser vista como oportunidade de impulsionamento, não como custo. A entidade defende instrumentos como pagamento por serviços ambientais e fortalecimento do mercado de carbono para remunerar quem adota boas práticas no campo.
O manifesto apresentado pelo cooperativismo enfatiza que iniciativas de bioeconomia e economia circular precisam ter viabilidade econômica sustentável. Para isso, são necessários financiamento, seguros e incentivos adequados que garantam resultado prático para quem implementa ações ambientais na ponta da cadeia produtiva.
Padrões de medição adequados aos trópicos
A OCB alerta para os riscos de aplicar padrões desenhados para modelos agrícolas de clima temperado em biomas tropicais brasileiros. Macedo explicou que quando a agricultura tropical é medida por réguas construídas sem sua participação, surgem distorções nas avaliações de desempenho ambiental.
A agricultura brasileira já adota práticas avançadas de baixo carbono, como plantio direto e rotação de culturas. Ao aplicar métricas de modelo temperado para a produção tropical, as consequências incluem padrões de investimento desalinhados, dificuldades para mercados de carbono e potenciais entraves ao comércio internacional.
As cooperativas brasileiras defendem que a comunidade internacional coloque a ciência e as especificidades da produção tropical no centro dos debates regulatórios. O objetivo é garantir mensurações justas, sem viés ideológico ou geográfico.
Rejeição a barreiras comerciais disfarçadas
O Sistema OCB manifestou preocupação com o uso de discursos ecológicos para mascarar medidas protecionistas. A entidade enfatiza que a agenda ambiental deve impulsionar o comércio internacional sustentável, sem criar barreiras injustificadas.
Macedo ressaltou que o cooperativismo não aceita que a agenda de meio ambiente seja utilizada como instrumento anticompetitivo. Cada país tem autonomia para definir suas regras, mas não se pode aceitar política comercial travestida de preocupação ambiental para prejudicar a competitividade do setor produtivo brasileiro.
O manifesto apresentado na COP31 está alinhado com a mudança de foco da presidência da conferência, que prioriza menos negociação de metas e mais resultados concretos. Os eixos prioritários incluem energia, segurança alimentar, economia circular, financiamento e formação de novas gerações.
