Doze cooperativas vinícolas do Rio Grande do Sul movimentaram R$ 1,8 bilhão em 2025, crescimento nominal de 25% em relação a 2021. As organizações reúnem cerca de 4,7 mil produtores e mantêm 1,4 mil empregos diretos no estado responsável por aproximadamente 90% da produção nacional de vinhos e espumantes. As informações são da Gazeta do Povo.

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A transformação do setor reflete mudanças que começam no parreiral e chegam até a prateleira. Produtores que durante décadas cultivaram variedades como Isabel e Bordô passaram a investir em castas finas destinadas à produção de espumantes, seguindo orientações técnicas das cooperativas e as demandas do mercado.

Nestor Tonin, de 54 anos, associado há 34 anos ao cooperativismo em Farroupilha, cultiva hoje Moscato Giallo, Moscato R3 e Malvasia Aromática. A decisão exige planejamento, já que um vinhedo novo leva de dois a três anos para começar a produzir e as preferências dos consumidores podem mudar nesse intervalo.

Marcas próprias substituem venda a granel

A Cooperativa Nova Aliança, de Flores da Cunha, nasceu em 2010 da fusão de cinco cooperativas fundadas entre 1929 e 1931. A união permitiu dividir investimentos em uma nova planta industrial e criar estrutura comercial própria. Desde a fusão, a organização investiu aproximadamente R$ 150 milhões em instalações, armazenagem e tecnologia.

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O resultado foi a inversão do modelo de negócio. Antes cerca de 90% do volume era vendido a granel para empresas que engarrafavam com suas próprias marcas. Hoje, aproximadamente 90% sai envasado com marcas da própria cooperativa, que reúne mais de 600 famílias e processou cerca de 50 milhões de quilos de uva na última safra.

A Cooperativa Vinícola Aurora, de Bento Gonçalves, fundada em 1931, reúne cerca de 1,1 mil cooperados que cultivam em média 2,7 hectares cada um. Na safra de 2026, recebeu 93,3 milhões de quilos, volume 30% superior ao do ano anterior.

Suco de uva impulsiona faturamento

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A diversificação ganhou força com alternativas às bebidas alcoólicas. Na Aurora, as vendas de suco passaram de cerca de 8 milhões de litros em 2012 para uma projeção superior a 50 milhões em 2026. Hoje, cerca de 70% das uvas recebidas são destinadas à produção de suco.

Na Nova Aliança, o suco representa cerca de 80% do volume comercializado. Vinhos finos e espumantes, porém, crescem mais rapidamente em faturamento. Nos primeiros nove meses de 2026, as vendas desses produtos avançaram 25%, com alta de 35% nos espumantes.

A remuneração incentiva a diversificação. Segundo Nestor Tonin, enquanto Isabel e Bordô rendem entre R$ 1,50 e R$ 1,70 por quilo, determinadas uvas finas podem alcançar R$ 5. A Nova Aliança informou que o preço pago pela uva praticamente dobrou nos últimos dez anos, com valorização nominal de aproximadamente 22% entre as safras de 2023 e 2026.

Cristiano Gabardo, de 40 anos, ampliou os vinhedos da família de 2,5 para cinco hectares em Bento Gonçalves. Hoje combina uvas para sucos, como Isabel, BRS Magna e BRS Cora, com variedades finas como Pinot Noir, Chardonnay e Glera. Na última safra, entregou 146 toneladas próprias e outras 75 de uma área vizinha que administra, recebendo o pagamento em dez parcelas mensais.