Economia

Cooperativas paranaenses profissionalizam gestão e mantêm controle local

Imagem mostra notas de real em cima de uma mesa.
Decisões econômicas, inflação e mercado: entenda como os rumos da economia afetam o seu dia a dia. Foto: Pixabay/ Joel Santana

Cooperativas do Paraná estão separando as funções de conselhos eleitos e executivos contratados para acompanhar o crescimento do setor. O modelo permite que dirigentes eleitos pelos associados definam estratégias e fiscalizem resultados, enquanto profissionais executam as operações do dia a dia. A mudança busca manter a proximidade com os cooperados sem comprometer a eficiência administrativa. As informações são da Gazeta do Povo.

O cooperativismo brasileiro registrou R$ 848 bilhões em ingressos e 29 milhões de associados em 2025. No Paraná, a Central Cresol Baser, com sede em Francisco Beltrão, reúne cerca de 600 mil associados. Seu presidente do Conselho de Administração, Alzimiro Thomé, dedica a maior parte da agenda a visitas às cooperativas e ao contato com associados, percorrendo até 6 mil quilômetros por mês.

Thomé consegue manter essa rotina porque a gestão cotidiana ficou com executivos contratados. Antes, todas as decisões passavam por ele quando presidia uma cooperativa municipal. Desde 2013 à frente do conselho da central, sua função é ouvir a base e levar as necessidades dos cooperados às discussões estratégicas.

A Cresol começou em 1996 com 27 agricultores e R$ 720 de capital inicial. Hoje o sistema tem mais de 1,2 milhão de associados, 54 cooperativas singulares e cerca de 1.070 agências em 20 estados. A expansão trouxe novas demandas, como atendimento a moradores urbanos e empresas, exigindo equipes especializadas.

As primeiras cooperativas do sistema separaram as atribuições de conselhos e diretorias executivas em 2015. Na Central Cresol Baser, a divisão foi oficializada em 2018. Semanalmente, o conselho recebe informações sobre demanda por produtos, operações de crédito e situação da instituição.

Lar altera estatuto para reorganizar administração

A Lar Cooperativa Agroindustrial, de Medianeira, encerrou 2025 com R$ 23,2 bilhões em receita líquida, alta de 14,4% sobre o ano anterior. A cooperativa é a quinta maior empresa do Sul do país, reúne 17 mil famílias associadas e 27 mil funcionários.

Em agosto, os associados aprovaram mudança no estatuto. A nova estrutura, prevista para 2027, terá um Conselho de Administração reduzido de nove para sete integrantes, responsável por decisões estratégicas e fiscalização. A gestão cotidiana ficará com uma diretoria executiva contratada e subordinada ao conselho.

Segundo Irineo da Costa Rodrigues, há 36 anos à frente da Lar, a proximidade com os públicos demanda muito tempo. A mudança permitirá que conselheiros eleitos se dediquem mais a decisões sobre o futuro dos negócios e ao contato com agricultores, enquanto executivos respondem pela operação.

Erros de gestão recaem sobre patrimônio coletivo

A história do cooperativismo mostra o preço de erros administrativos. Na década de 1990, a Cotia e a Coopagro encerraram atividades em meio a problemas de gestão e instabilidade econômica. Recentemente, a Piá, do Rio Grande do Sul, acumulou dívidas superiores a R$ 200 milhões e suspendeu a produção.

O economista Ricardo Rippel, da Unioeste, afirma que a profissionalização não pode ficar restrita aos executivos contratados. Segundo ele, é necessário preparar também os conselheiros que supervisionam os negócios para tomarem decisões mais sólidas.

O modelo de dupla governança distribui responsabilidades sem retirar dos cooperados o poder exercido por meio das assembleias e dos conselhos. Segundo Tania Zanella, presidente executiva do Sistema OCB, a cooperativa existe para atender os cooperados e precisa manter as pessoas no centro.

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