A Coagro, de Capanema, e a Coopavel, de Cascavel, firmaram parceria para compartilhar estruturas industriais no Paraná. A Coopavel passa a fornecer fertilizantes e bioinsumos que serão vendidos aos cerca de 6,4 mil cooperados da Coagro com a marca da própria cooperativa. A estratégia, chamada de intercooperação, evita a duplicação de investimentos e permite ganhos de escala com a otimização de estruturas existentes. As informações são da Gazeta do Povo.
Para a Coopavel, a parceria aumenta a escala de uma estrutura industrial já existente. Para a Coagro, amplia o portfólio sem repetir investimentos. A matéria-prima dos fertilizantes chega via ferrovia, a partir do Porto de Paranaguá, o que ajuda a reduzir os custos em relação a produtos vindos de outras regiões.
Capanema, próxima ao Parque Nacional do Iguaçu, tem condições favoráveis ao cultivo do milho safrinha. A menor ocorrência de geadas permite estender o período de plantio do grão, que exige mais fertilizantes do que a soja, especialmente nitrogênio e potássio. “O produtor precisa de um produto de qualidade e de menor preço também”, afirma o presidente da Coagro, Sebaldo Waclawovsky.
A intercooperação é o sexto dos sete princípios do cooperativismo. Ela permite que uma cooperativa utilize estruturas que outra já construiu, gerando economia de investimentos e mais força para disputar espaço no mercado. “Isso é bom para o cooperativismo porque nós economizamos em investimento do sistema”, diz o presidente da Coopavel, Dilvo Grolli.
O modelo segue uma lógica presente em alguns dos principais projetos do país. Entre eles estão a Aurora Alimentos, de Santa Catarina, que reúne 14 cooperativas, e a CCGL, no Rio Grande do Sul, com 30 filiadas. No Paraná, a Frimesa reúne cinco cooperativas para industrializar e comercializar suínos e leite, enquanto a Cotriguaçu reúne cooperativas em estruturas compartilhadas, como o terminal portuário de Paranaguá.
Nos Campos Gerais, Frísia, Castrolanda e Capal criaram a Unium, marca de negócios conjuntos nos segmentos de lácteos, suínos e trigo. Segundo o economista Ayslan Guenter, especialista em gestão estratégica de cooperativas, o ponto em comum está em unir estruturas, conhecimentos ou competências para tornar as operações mais eficientes.
O Paraná tem 82 cooperativas agropecuárias, reunindo 239,5 mil cooperados, segundo dados da Ocepar. Em seus armazéns e agroindústrias, elas recebem o equivalente a 66% da produção de grãos e 45% da produção de proteína animal do Estado. Desse volume, 48% são industrializados nas 157 agroindústrias em operação.
Presente em 21 municípios do Oeste e Sudoeste, a Coopavel tem 18 agroindústrias. Parte dessa estrutura é utilizada também por outras cooperativas, como Lar, Copagril e Coagru, que podem comercializar produtos fabricados pela Coopavel com suas próprias marcas, sem precisar construir uma indústria para cada linha.
No caso da Coagro e da Coopavel, o fertilizante é apenas uma das possibilidades. A indústria de farinha de trigo da Coopavel abre espaço para a Coagro fornecer trigo. A Coagro também pode fornecer soja para a indústria de óleo da Coopavel e comprar farelo de soja para a fábrica de rações.
