As cooperativas de crédito atingiram R$ 1 trilhão em ativos e mais de 21 milhões de associados no Brasil em 2025, após uma década de crescimento acima de 20% ao ano. O ritmo de expansão deve desacelerar no curto prazo por causa dos juros altos, aperto na renda das famílias e aumento da inadimplência. Mesmo assim, o setor ainda vê muito espaço para crescer no país. As informações são da Gazeta do Povo.
Cesar Bochi, CEO do Sicredi, a cooperativa de crédito mais antiga do país, afirma que o segmento está longe do teto. Hoje, as cooperativas detêm cerca de 8% do sistema financeiro nacional. Nos últimos cinco anos, o Sicredi dobrou sua base de clientes, passando de 5 milhões em 2021 para mais de 10 milhões em fevereiro de 2026.
O Banco Central projeta que o setor deve crescer acima de dois dígitos, mas em ritmo mais moderado. Bochi estima um crescimento mais próximo de 10% do que dos 20% registrados na última década. Em 2025, a carteira do cooperativismo cresceu 13,1%, acima dos 8,5% do restante do Sistema Financeiro Nacional.
França, EUA e Irlanda têm participação maior
O modelo cooperativo ainda tem muito a avançar no Brasil quando comparado a outros países. Na França, cooperativas como Crédit Agricole, BPCE e Crédit Mutuel detêm mais de 60% do mercado financeiro. Nos Estados Unidos, as cooperativas de crédito somam mais de 145 milhões de membros, o equivalente a 44% da população, e administram mais de US$ 2,5 trilhões em ativos.
Na Irlanda, o número de cooperados chega a ser maior do que a população, segundo Tiago Schmidt, presidente da Sicredi Pioneira. O crescimento das cooperativas brasileiras tem forte apoio na indicação boca a boca, além da publicidade oficial.
Norte e Nordeste são regiões com potencial
O cooperativismo no Brasil ainda é mais forte no Sul, onde 26,3% da população está associada a cooperativas. No Nordeste, esse índice é de apenas 1,6%. A próxima onda de expansão deve vir dessas regiões menos desenvolvidas, acredita Gustavo Freitas, diretor de Crédito e Segmentos do Sicredi.
Estudo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas mostra que a presença de uma cooperativa de crédito em um município reduz em cerca de 25% o acesso da população local a programas de assistência social. Em 2025, o Sicredi gerou um benefício econômico direto de R$ 31 bilhões para seus associados, segundo dados do Banco Central. O valor equivale a uma economia média de R$ 3 mil por cooperado ao longo do ano.
