As cooperativas brasileiras movimentaram US$ 17,4 bilhões em exportações em 2025, com 140 organizações vendendo ao exterior. Além da China, as Filipinas se destacam na compra de carnes, enquanto Índia e Indonésia mostram interesse por algodão, café, óleo de soja e ingredientes para alimentos. O desafio agora é diversificar destinos e agregar valor aos produtos. As informações são da Gazeta do Povo.
O Paraná lidera as exportações entre as cooperativas apoiadas pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), com US$ 4 bilhões em 2025, representando 43% do total. Minas Gerais vem em seguida com US$ 3 bilhões e Santa Catarina com US$ 1,9 bilhão.
Débora Ingrisano, gerente de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB, afirma que a agregação de valor é estratégica. “Vemos a agregação de valor como uma frente especialmente estratégica para o cooperativismo brasileiro nos próximos anos”, diz.
Filipinas se tornam principal destino da carne suína brasileira
As Filipinas tornaram-se o principal destino da carne suína brasileira em 2025, com 392,9 mil toneladas exportadas, alta de 54,5% sobre o ano anterior. As exportações de carne de frango para o país também cresceram 15,9% no primeiro semestre de 2026. A abertura do mercado filipino ocorreu após um surto de Peste Suína Africana em 2019, que dizimou os plantéis locais.
Outro fator favorável é o reconhecimento da regionalização das restrições por influenza aviária. A medida limita eventuais suspensões às áreas afetadas, dando mais previsibilidade aos embarques.
Índia aumenta compra de algodão brasileiro em 40 vezes
As exportações de algodão brasileiro para a Índia cresceram mais de 40 vezes em dois anos, superando 350 mil toneladas na safra 2025/2026. O aumento se deu por quebra da produção indiana devido ao excesso de chuva, redução de tarifas e aumento da qualidade da pluma brasileira.
Café e óleo de soja também aparecem entre as oportunidades. A expansão, porém, depende das condições de acesso, já que a proteção à produção doméstica e as barreiras tarifárias indianas podem afetar a competitividade.
Na Indonésia, café e algodão ampliam presença, com perspectivas também para soja e ingredientes industriais. Entre os desafios estão a certificação halal, custos logísticos e a distância geográfica.
Nailia Franco, advogada da Andersen Ballão Advocacia, avalia que diversificar mercados é uma forma de gestão de risco. “Não existe um único mercado mais promissor. A atratividade depende do produto e da combinação entre demanda, crescimento, acesso e requisitos regulatórios”, afirma.
Em 2025, foram aprovados mandatos para ampliar o Acordo de Comércio Preferencial Mercosul-Índia e para negociar um acordo entre Mercosul e Indonésia. As iniciativas podem reduzir barreiras, mas os resultados dependem da conclusão das negociações.
