O Brasil importa metade das 800 mil toneladas de cevada consumidas anualmente para produzir malte cervejeiro. Para reduzir essa dependência, a Cooperativa Agrária lidera a expansão do cultivo do cereal por novas regiões do Sul e Sudeste, desenvolvendo variedades adaptadas ao clima mais frio. A meta é que 70% do consumo das maltarias da cooperativa venha de cevada nacional nos próximos cinco anos. As informações são da Gazeta do Povo.

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A Agrária opera as duas maiores fábricas de malte do país. A unidade de Entre Rios tem capacidade de 340 mil toneladas, com ampliação de 80 mil toneladas em andamento. Já a Maltaria Campos Gerais (MCG), mantida com outras cooperativas paranaenses, produz cerca de 240 mil toneladas. O Paraná plantou 118 mil hectares de cevada neste inverno, área recorde que deve render 550 mil toneladas, cerca de 88% da produção nacional, segundo a Conab.

A cooperativa cultiva cevada desde os anos 1970 em Guarapuava, no Centro-Sul do Paraná. Desde então, a Fundação Agrária de Pesquisas Agropecuárias (FAPA) desenvolve cultivares voltadas à qualidade cervejeira. Esse conhecimento agora é compartilhado com cooperativas parceiras em novas regiões, como Norte do Paraná e interior de São Paulo.

Expansão chega ao Norte do Paraná e São Paulo

A Agrária firmou parcerias com a Cooperativa Integrada, no Norte do Paraná, e com a Cooperativa Holambra, em Paranapanema (SP). Em Mauá da Serra, produtores da Integrada começaram com cinco hectares em 2022 e hoje cultivam 5.500 hectares em 43 áreas. Neste inverno, a cultura chegou a Arapongas, Rolândia e Tamarana, com 350 hectares plantados por três produtores.

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A proposta é fazer intercooperação: a Agrária leva tecnologia testada em campos experimentais, dá apoio técnico e garante a compra de 100% da produção. Com isso, a cevada se torna alternativa rentável no inverno, época em que os produtores têm mais desafios para rentabilizar os plantios. A variedade Princesa, desenvolvida pela FAPA, é a mais utilizada nas novas áreas.

Cevada exige cuidados especiais para virar cerveja

O recebimento da cevada difere de outras culturas. Toda a produção precisa ser segregada para garantir homogeneidade e preservar a capacidade germinativa dos grãos, que deve ficar em torno de 95%. A secagem é etapa crítica: temperatura e aeração precisam ser controladas. Se o procedimento falhar, o lote perde o padrão cervejeiro e vai para ração, com remuneração menor.

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A Cooperativa Integrada investiu cerca de R$ 500 mil em equipamentos e laboratório para receber o grão em Mauá da Serra. A Agrária busca áreas com altitude superior a 700 metros e temperaturas mais baixas à noite em setembro, período de enchimento dos grãos. A próxima fronteira é o Sudoeste do Paraná, onde a cooperativa mantém campos experimentais há uma década.

A produção conta com rastreabilidade completa, da semente ao malte, incluindo cálculo da pegada de carbono. A iniciativa atende à demanda das grandes cervejarias, que estabeleceram metas de redução de emissões para os próximos anos.