Empresários do ramo de frigoríficos reclamam que a emissão de Nota Fiscal eletrônica (NF-e), que deveria ser feita pela internet, estaria resultando em prejuízos para o setor. De acordo com alguns empreendedores, o serviço online disponível no site da Receita Estadual estaria “travando”, impedindo a emissão do Documento Auxiliar da Nota Fiscal Eletrônica (Danfe).

Sem o documento, os fornecedores ficariam impedidos de movimentar cargas, já que não poderiam comprovar a regularidade da mercadoria. Diante do problema, algumas empresas relatam que chegaram a perder vendas, arcando com o prejuízo de cargas que não poderiam mais ser vendidas, por causa da periodicidade curta da validade dos produtos.

“A entrega de alguns produtos precisa ser feita pela manhã. Entregar frango depois do almoço fica difícil”, comenta o gerente de faturamento de um frigorífico de Rolândia, Valdemar Boraschi. Segundo ele, o sistema da Receita Estadual é um tanto quanto complexo, o que exigiria que as empresas passassem a contar com um profissional especializado na área.

Segundo Roselaine Savariego, empresária do ramo de frigoríficos na região de Londrina, a demora no processamento via web fez com que o custo operacional de sua empresa aumentasse, já que precisou estocar os produtos. “Fiquei mais de cinco horas tentando emitir o documento. Tivemos que descarregar dois caminhões porque não conseguimos fazer a entrega”, conta.

A Receita Estadual, no entanto, contesta as informações das empresas. De acordo com o órgão, em dezembro foram enviadas 1,3 milhão de notas via sistema online. Segundo a Receita, em todo o Paraná, cerca de 800 empresas já operam no sistema de notas fiscais eletrônicas (NF-e).

Segundo o auditor da Receita Estadual, Mauro Dal Bianco, em dezembro, 91,5% das solicitações recebidas pelo sistema do órgão foram respondidas com menos de três minutos, o que seria um parâmetro aceitável para a emissão do Danfe. Menos de 8% das respostas da Receita excederam um tempo entre cinco a dez minutos e 1% acima de uma hora.

“As empresas não se prepararam para a novidade tecnológica. Temos notado, em alguns casos, que falta preparo adequado de profissionais e de infraestrutura. Faltam equipamentos que suportem uma conexão mínima de Internet para que tudo ocorra bem”, afirma Dal Bianco.

Além de substitui as notas fiscais em papel, a NF-e objetiva diminuir a burocracia e dificultar a sonegação, além de reduzir custos.