O saldo da conta de transações correntes em 2004 ficou superavitário em US$ 11,669 bilhões, o melhor resultado já registrado desde o início da série histórica, em 1947. Esse valor é equivalente a 1,94% do PIB (Produto Interno Bruto), também recorde histórico. O resultado do ano passado é 179,4% superior ao registrado em 2003, quando o superávit foi de US$ 4,177 bilhões.

As transações correntes são o principal indicador da vulnerabilidade externa de um país. Ao obter superávit, o Brasil emite ao mercado sinais de que terá dólares suficientes para pagar sua dívida externa.

"Esse superávit reflete o processo de intenso ajuste do setor externo", diz Luiz Malan, chefe-adjunto do Departamento Econômico do BC. Segundo ele, esse ajuste tem se dado pelo comércio exterior. No ano passado, o superávit comercial – saldo positivo entre as exportações e importações – foi de US$ 33,696 bilhões, o melhor já registrado pelo País.

O saldo da balança foi suficiente para cobrir o déficit da conta de serviços e rendas do País, que ficou deficitária em 2004 em US$ 25,293 bilhões. A conta de transações correntes ainda inclui as transferências unilaterais de brasileiros que moram no exterior, que no ano passado somaram US$ 3,268 bilhões.

Diferente do segundo melhor resultado da série – em 1992, quando o saldo em transações correntes ficou em US$ 6,109 bilhões, ou 1,58% do PIB -, o superávit nas contas correntes ocorre em um cenário de retomada do crescimento. Em dezembro, as transações correntes tiveram um superávit de US$ 1,211 bilhão.

Para este ano, o BC prevê contas correntes em equilíbrio, ou seja, saldo zero. Isso porque o superávit da balança deverá ser US$ 8,7 bilhões menor e o déficit na conta de serviços e renda, US$ 3 bilhões maior.

Gastos de turistas subiram 30%

Os gastos dos turistas estrangeiros no Brasil subiram 30% no ano passado. Eles deixaram no País US$ 3,222 bilhões, contra US$ 2,479 bilhões em 2003. "A gente acredita que possa ser uma tendência (de crescimento dos gastos de estrangeiros no Brasil) devido ao esforço da Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo)", avalia o diretor-adjunto do Departamento Econômico do Banco Central, Luiz Malan.

Os gastos dos brasileiros em viagens de turismo ou negócios ao exterior também cresceram e passaram de US$ 2,261 bilhões em 2003 para US$ 2,871 bilhões em 2004, uma alta de 27%.

Esses dois resultados fizeram com que o Brasil terminasse 2004 com um saldo positivo de US$ 351 milhões na conta de viagens, aumento de 61% sobre o resultado do ano anterior (US$ 218 milhões).

Segundo Luiz Malan, os estrangeiros encontram hoje uma melhor infra-estrutura no País, que conta com hotéis e serviços, e isso aumento o fluxo de turistas ao Brasil.

Ainda de acordo com ele, o dólar desvalorizado frente ao euro deve aumentar o número de turistas europeus no Brasil, o que irá contribuir para o aumento das receitas.