Quase R$ 100 bilhões em recursos extras deverão ser injetados no consumo dos brasileiros neste ano, especialmente no segundo semestre. Esse dinheiro, proveniente do aumento da massa de rendimentos e da ampliação da oferta de crédito, viabilizada pela queda dos juros, deverá transformar a demanda doméstica no motor da recuperação da economia prevista para o segundo semestre.

A retomada do mercado interno deixa para trás o cenário de recessão técnica, marcado por dois trimestres consecutivos de queda do Produto Interno Bruto (PIB), que vai ser confirmado terça-feira pelo IBGE. Projeções do mercado indicam queda entre 3% e 0,75% do PIB no primeiro trimestre, segundo a Agência Estado. No último trimestre de 2008, o PIB caiu 3,6% em relação ao trimestre anterior.

Nesta semana, além de ser conhecido o PIB do primeiro trimestre, o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne e deve anunciar um novo corte na taxa básica de juros (Selic), o que deve contribuir para a recuperação da economia. Desde o início do ano, a Selic já caiu 3,5 pontos porcentuais, para 10,25% ao ano. Os efeitos desse corte nos juros devem ter impacto maior na atividade no segundo semestre. “Leva ao menos seis meses para que as reduções na Selic comecem a repercutir”, diz Sergio Vale, economista-chefe da consultoria MB Associados.

A queda dos juros abre espaço para a ampliação da oferta de crédito e o alongamento dos prazos ao consumidor. Nas projeções da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), a oferta de financiamentos para pessoas físicas deve crescer R$ 54,5 bilhões este ano, que correspondem a um aumento de 20% no saldo de dezembro de 2008. Desse total, R$ 40,3 bilhões deverão ser injetados na economia de maio a dezembro.

Sozinha, a queda dos juros não tem força para dar grande impulso à demanda. Estudo da MB indica que a massa de renda real das famílias deve ter acréscimo de R$ 42,9 bilhões em 2009. Desse total, R$ 26,6 bilhões virão dos cofres do governo. Isso inclui o reajuste do funcionalismo, o aumento do salário mínimo e a ampliação do Bolsa-Família.