Rio  – O consumo de remédios vem caindo no País. As indústrias produzem 5% menos, mas os preços para o consumidor chegaram a subir até quatro vezes mais que a inflação de 8,05% (pelo IPCA) neste primeiro ano do governo Lula. Os aumentos mais expressivos, de 34,4% e 33,7%, foram registrados nos analgésicos Melhoral e Aspirina, que são medicamentos de amplo consumo e alta concorrência, cujos preços foram liberados pelo governo em março.

De uma lista de 25 remédios de grande venda, cinco subiram de 18% a 34%; 14 tiveram altas acumuladas entre 13% e 14%; e cinco ficaram de 8% a 12% mais caros no ano. Da relação pesquisada, apenas o anti-hipertensivo Renitec registrou um índice de aumento menor que o da inflação: 6,67%, de janeiro a outubro. Os índices foram verificados com base nos valores publicados na revista “ABCFarma”, com preços que servem de referência para as farmácias do país.

Além do Melhoral e da Aspirina, três outros medicamentos fazem parte do rol dos liberados no início do ano: Doril e Tylenol (com altas de 14% no ano), Hipoglós e Novalgina (13,2% mais caros).

São produtos de valor agregado baixo e cujos aumentos são pouco percebidos pelo consumidor. Como o Melhoral, cujo frasco de venda passou de R$ 0,90 para R$ 1,21. São valores pequenos, mas que este ano seguem na contramão do ritmo de baixa de 19% do dólar, que interfere nos custos das matérias-primas importadas de muitos remédios.

Os donos de farmácias dizem que apenas repassam as altas das indústrias. E que sofrem também com a queda nas vendas e com os reajustes de impostos.

O presidente da Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma), Ciro Mortella, diz que o governo autorizou este ano apenas dois reajustes, que acumularam 11%, em média.