O consumo de energia elétrica no Brasil voltou a cair em maio, após apresentar leve recuperação em abril. O indicador, divulgado nesta quarta-feira, 1, pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), encolheu 2,2% em relação a maio do ano passado, influenciado negativamente por uma queda de 4,2% no consumo industrial.

O consumo apresentou queda em três dos cinco primeiros meses do ano: fevereiro (-2,2%), março (-0,9%) e maio. Em abril, o indicador havia crescido 0,3%. Com isso, no acumulado do ano até maio, o consumo apresentou retração de 0,9% em relação ao mesmo período do ano passado.

O resultado de maio foi afetado por três das quatro classes de consumo detalhadas pela EPE. Além da queda no consumo industrial, o segmento residencial e a categoria “Outros” também apresentaram retração. A variação negativa, em ambas as categorias, foi de 2,5% e 0,1%, respectivamente. A exceção ficou por conta da classe comercial, que apresentou aumento de 0,5% no consumo em maio, em relação ao mesmo período de 2014.

No acumulado anual, entretanto, todas as classes apresentam aumento do consumo, exceto a indústria. Esta encolheu 4,2% entre janeiro e maio. As classes residencial e comercial, por sua vez, cresceram 2,7% e 4%, respectivamente. A categoria “Outros” cresceu 2,5% no período.

Poder aquisitivo

A EPE destaca que, embora os números de fevereiro e março já indicassem consumo menos expressivo das classes residencial e comercial, havia uma pressão explicada pela base mais robusta de 2014 devido às altas temperaturas. “Já o resultado de maio, livre dessas influências, parece refletir os efeitos combinados da queda do poder aquisitivo das famílias com o aumento das tarifas de eletricidade, aplicado em todas as distribuidoras”, apontou a EPE.

O consumo de 38.196 gigawatts-hora (GWh) em maio foi afetado principalmente pela região Sudeste, onde o consumo encolheu 3,9%. As regiões Sul (-0,9%), Centro-Oeste (-0,4%) e Norte (-1,3%) também apresentaram retração. O Nordeste foi a única região do País a apresentar aumento de consumo em maio, com alta de 0,3%.

Os dados da EPE mostram, também, que a base de consumidores da classe residencial cresceu 2,7% em maio, a menor taxa desde agosto de 2012. “Esse resultado converge com a retração de 0,8% ocorrida nos últimos 12 meses na entrega de empreendimentos residenciais no país”, analisa a EPE.

No caso da classe industrial, destaque para a alta de apenas oito das 36 áreas da indústria analisados, menos de um quarto dos setores. Em alguns segmentos, como automotivo (-13,7%) e metalúrgico (-10,7%), a queda foi expressiva, superando os 10%.