Não são apenas as livrarias e papelarias que, nesta época do ano, começam a lucrar com a venda de materiais escolares. Na tentativa de economizar, muitas pessoas estão optando em comprar lápis, borracha, cadernos, estojos, mochilas e outros itens em lojinhas de R$ 1,99. Em Curitiba, os preços nos estabelecimentos de R$ 1,99 costumam ser alguns centavos mais baixos do que nas livrarias e papelarias. Porém, como geralmente as escolas pedem uma lista extensa de produtos, no final a economia acaba sendo visível.
Em média, nas lojas de R$ 1,99, o lápis mais em conta sai por R$ 0,20, a caneta por R$ 0,30, o tubo de cola pequeno por R$ 0,60, a caixa de lápis de cor por R$ 2,20, a borracha por R$ 0,25 e o caderno universitário de capa mole e uma matéria por R$ 1,99. Nas livrarias e papelarias, a média de preços mais baixos dos mesmo produtos são, respectivamente, R$ 0,30, R$ 0,70, R$ 1,00, R$ 2,90, R$ 0,30 e R$ 2,60. Sendo assim, o preço total dos seis itens básicos nas lojas de R$ 1,99 fica em R$ 5,54. Nas livrarias e papelarias, R$ 7,80. A diferença é de cerca de 29%.
A proprietária de uma loja de R$ 1,99 localizada nas proximidades do terminal de ônibus Guadalupe, Sandra Cristina da Silva, explica que geralmente os preços são mais baixos porque os comerciantes trabalham com uma margem de lucro menor que a adotada nas livrarias e papelarias. “Além de material escolar, nós comercializamos outros produtos e, por isso, podemos vender alguns itens com preços mais baixos. Já as papelarias só trabalham com material escolar e tiram todo o lucro disso”, afirma.
Já o vendedor de uma loja localizada nas proximidades da Praça Zacarias, Rubens Haruo, acredita que a compra de materiais em estabelecimentos de R$ 1,99 já está virando um costume devido à grande variedade de produtos disponíveis. “Assim como as livrarias e papelarias, temos de tudo e vendemos produtos de qualidade. Os clientes geralmente chegam com listas grandes de materiais e não abrem mão da economia”, diz.
Clientes
Ontem de manhã, a aposentada Ana Lúcia Kuchni pesquisava nas lojas de R$ 1,99 os preços dos materiais exigidos pelas escolas de seus dois filhos: um de 10 anos que está na 5.ª série do ensino fundamental e outro de 15 na 7.ª série também do fundamental. “Principalmente para meu filho de 10 anos, a lista de materiais necessários é grande. Não tenho muito como economizar, por exemplo, na compra de uniformes. Então, para que mantê-los na escola não seja tão pesado, tento economizar na compra dos materiais”.
O catador de papel Eli Silva, levou o filho, Fernando Silva, de 11 anos, que cursa a 4.ª série do ensino fundamental, para escolher os materiais. Ele carregava uma cesta com cadernos, lápis de cor, borracha, régua e outros produtos. “Dei uma olhada nos preços nas papelarias e também nos supermercados e vi que está tudo caro. No ano passado, também comprei o material de meu filho no R$ 1,99 e valeu a pena”.
Qualidade
Para que no final o barato não acabe saindo caro, o coordenador estadual do Procon-PR, Algacy Túlio, aconselha as pessoas a verificarem a qualidade dos produtos antes de comprar nas lojas de R$ 1,99. “Não adianta nada pagar barato por um produto que se decompõe ou perde a cor rapidamente”, explica. “Antes de comprar, as pessoas devem tentar saber a procedência do produto e se ele é durável ou não.”