Daniel Derevecki
Hamilton Pinheiro Franck: novo ciclo de crescimento.

A construção civil deve encerrar 2007 com crescimento acima do PIB (Produto Interno Bruto), segundo estimativa do setor. Enquanto o PIB – soma de toda riqueza produzida no País – deve crescer 4,5%, conforme previsão do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a construção civil pode avançar 4,6%. A expansão do crédito imobiliário, a redução da taxa de juros, o alongamento nos prazos de financiamento – que pode chegar a 30 anos, dependendo o banco -, além da estabilidade econômica, têm contribuído para este cenário favorável que, de acordo com o setor, não é passageiro.  

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?Não é ?vôo de galinha?. É um crescimento constante e firme?, destacou o vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Paraná (Sinduscon-PR), Normando Baú. Segundo dados da entidade, o número de alvarás para novas construções em Curitiba cresceu 25% entre novembro de 2006 e novembro último, passando de 1,671 milhão metros quadrados para 1,906 milhão metros quadrados. O lançamento de apartamentos residenciais também teve um salto, passando de 1.892 unidade no ano passado para 3.144 este ano, representando crescimento de 89%.

O mercado também se tornou mais dinâmico. No ano passado, a velocidade média de vendas dos imóveis era de 9%; neste final de ano, passou para 11%. O destaque ficou por conta dos sobrados e apartamentos de vendas, que estão alcançando índice de 14%. Com tantas obras, o setor também contratou mais: foram 5,9 mil no ano passado no Paraná contra 10,2 mil este ano – metade deles em Curitiba.

Para o presidente do Sinduscon-PR, Hamilton Pinheiro Franck, a construção civil vive ?um novo ciclo de crescimento?, e o momento está trazendo muitas oportunidades para os engenheiros. Para Franck, nem a crise no mercado imobiliário norte-americano deve afetar o setor. ?O Brasil está bem protegido contra turbulências externas, tem indústria forte e as exportações se mantêm. Nossa preocupação é muito mais interna do que externa. O governo tem que reduzir as despesas correntes, cortar gastos, fazer a lição de casa?, apontou Franck.

Recuperação de preços

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Para o consumidor, a maior oferta de imóveis trouxe a tiracolo o aumento nos preços. Entre os imóveis residenciais usados, o preço do metro quadrado subiu 13,9% desde o início do ano, segundo dados do Secovi-PR (Sindicato da Habitação e Condomínios do Paraná). O índice ficou bem acima da inflação acumulada, que é de 3,69% no caso do IPCA.

Franck reconheceu que houve alta no preço do metro quadrado nos últimos dois anos, mas não citou números. ?Houve recuperação dos preços. Em 2004 e 2005, as empresas estavam vendendo a preço de custo ou até abaixo; muitas não resistiram e fecharam as portas. Hoje, os preços em Curitiba estão adequados?, apontou. Franck lembrou que imóveis vendidos na planta podem custar 20% a 30% menos do que os prontos. ?Depois da quebra da Encol, o curitibano não comprou mais imóveis em construção. Ele só voltou a comprar recentemente?, comentou.

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Mas não foram só as casas e apartamentos que tiveram alta expressiva. Os preços dos terrenos também foram inflacionados, por conta de empresas vindas de fora dispostas a investir em grandes empreendimentos residenciais.