O total de participantes de consórcios de imóveis em todo o País saltou de 166,4 mil, em outubro de 2003, para 221,1 mil em outubro deste ano, significando um incremento de 32,9%. As vendas de novas cotas somaram 108,2 mil nos dez primeiros meses de 2004, 19% a mais em relação ao período anterior. Isso significa média de 10,8 mil vendas mensais. Os dados são da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac).

O consórcio de imóveis está sendo cada vez mais procurado por pessoas que desejam a aquisição da casa própria, de escritórios comerciais, terrenos, materiais para construção e reformas. É uma opção muito requisitada por ser até três vezes mais barata do que o financiamento tradicional. No sistema de consórcio, não há cobrança de juros nas parcelas.

Segundo o presidente regional da Abac, Rodolfo Montosa, os números de consorciados, de vendas de novas cotas e de contemplações tiveram um crescimento considerável em 2004. O cenário foi construído pela maior visibilidade do produto, que ainda não é tão conhecido pelos brasileiros. "Um dos fatores de atração é a possibilidade de utilizar o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para complementar o lance e retirar o bem desejado. Outro motivo é o número crescente de bancos e empresas de grande porte que estão operando consórcios de imóveis, o que dá mais visibilidade", enfatiza.

Um dos grandes atrativos deste negócio é o custo total menor da prestação do que através de financiamento. O gerente de mercado da Caixa Econômica Federal (CEF), Álvaro Luiz Martins, conta que o banco tem orientado o público que procura a Caixa e que paga aluguel para "apertar o cinto por um tempo para pagar o consórcio. Como temos muitas contemplações por mês, há uma grande chance de ser escolhido", comenta.

Para a diretora-superintendente do Consórcio de Imóveis Ademilar, Tatiana Reichmann, o total a ser pago pelo consorciado pode ser três vezes menor do que em outras formas de compra. A correção das parcelas é feita pelo Índice Nacional do Custo da Construção (INCC). Segundo ela, os números crescentes do setor mostram que o consumidor está passando a planejar o seu futuro ao optar por este sistema. O consórcio privilegia as aquisições em médio e longo prazos. "O consórcio de imóveis serve muito para o investidor, pois é possível locar o imóvel depois. Isso proporciona uma renda futura, como se fosse uma aposentadoria. Muitas pessoas também preferem o consórcio para comprar um conjunto comercial ou uma casa para os filhos", afirma. A prática de utilizar o valor que recebe de aluguel para pagar a parcela do consórcio, de acordo com o gerente Martins, da CEF, leva um investidor a adquirir um patrimônio e multiplicá-lo sem grandes problemas.

Além do valor baixo, Montosa acredita que a facilidade de acesso também está ajudando a atrair mais brasileiros para o consórcio de imóveis. "A burocracia é extremamente acentuada no sistema de financiamento. O consórcio é uma opção mais simples, com menos burocracia", avalia. Um exemplo da associação do retorno financeiro, de uma possível renda fixa, do fácil acesso e do patrimônio construído é o grande número de clientes (78% do total) da Ademilar que voltam a comprar cotas de consórcio de imóveis.

Crédito

Há uma grande variedade de cartas de crédito no consórcio de imóveis. Elas podem variar, dependendo da administradora, entre R$ 15 e 180 mil. A média, porém, gira em torno de R$ 30 a 50 mil, o que significa a intenção de realizar o sonho da casa própria, segundo a Caixa. Já na Ademilar, a média de R$ 35 mil em 2003 subiu para R$ 45 mil neste ano. Contando somente o mês de dezembro, o crédito ficou em R$ 53 mil.

O valor do crédito ainda pode ser aumentado depois que o consorciado é contemplado. A diretora-superintendente da empresa coloca como exemplo um crédito de R$ 40 mil, representando uma parcela de R$ 388,83 em 125 meses. Depois de sorteada, a pessoa pode aumentar o crédito para R$ 60 mil. Os R$ 20 mil acrescidos são divididos nas parcelas restantes do plano. Se o consorciado for sorteado faltando 120 parcelas, o valor é dividido por este número e adicionado na parcela inicial, que passa a ser de R$ 555. "Para a pessoa que já parou de pagar aluguel, fica muito mais fácil. O pessoal testou muito no começo e agora está realmente acreditando nessa alternativa", aponta Tatiana.

Abac prevê mais crescimento

A Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac) está estimando um aumento entre 15% e 20% em 2005 na área de imóveis. A Ademilar, que teve um crescimento de 48% em 2004, espera um novo incremento de pelo menos 40% em 2005. "Só neste ano, 65 famílias foram contempladas por mês, totalizando 780 por ano. Foram colocados R$ 45 milhões no mercado de imóveis em Curitiba", assegura Tatiana. Como arma para alavancar mais negócios, a empresa vai extinguir a taxa de adesão do consorciado, que girava em R$ 800.

A Caixa Econômica Federal, em todo o Brasil, teve um aumento de 57% no consórcio de imóveis este ano, representando 31 mil consorciados em dois anos de atividades. A meta do banco é crescer 20% no ano que vem. "Antes, o mercado estava muito tímido, mas com a entrada de grandes bancos, a tendência é o favorecimento do sistema", acredita Martins. Em 2005, a Abac pretende fortalecer o consórcio de imóveis junto ao Banco Central e realizar campanhas institucionais para incentivar as vendas. Estas ações, além daquelas realizadas por cada administradora, visam ampliar a visibilidade do produto. Com isso, as pessoas vão conhecer o consórcio de imóveis como uma alternativa em seus planejamentos, aumentando ainda mais o número de pessoas atendidas pelo sistema.

Segmento de automotores supera expectativas

O sistema de consórcio fechou o mês de outubro com 3,33 milhões de consorciados, um volume 8,1% maior do que em outubro de 2003. Nos dez primeiros meses de 2004 foram comercializadas 1,4 milhão de novas cotas, 3,7% a mais do que o acumulado no mesmo período de 2003. As contemplações subiram 5,4%, chegando a 680,7 mil no acumulado do ano. Os dados são da Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios (Abac).

O segmento de veículos automotores registrou uma evolução de 6,2% no número de participantes ativos em outubro na comparação com o mesmo mês do ano passado, chegando a 2,9 milhões de pessoas. O total de novas cotas comercializadas registrou estabilidade, passando de 1,11 milhão para 1,12 milhão entre janeiro e outubro. As contemplações apontaram alta de 4,4%, para 586,4 mil. Os principais produtos continuam sendo a motocicleta e a motoneta nacional, cuja participação neste setor é de 65,2%, com 1,89 milhão de consorciados em outubro (+ 9%). Foram vendidas 762,7 mil novas cotas de motos (+ 0,6%) e o número de contemplados subiu para 400 mil (+ 6,6%).

Na área de consórcios de imóveis, o total de participantes ampliou-se em 32,9%, subindo para 221,1 mil. As vendas de novas cotas chegaram a 108,2 (+ 19%), o que representa uma média mensal de 10,8 mil vendas. As contemplações acumuladas nos dez primeiros meses de 2004 somaram 21,6 mil (+ 47,9%).

O setor de eletroeletrônicos e outros bens móveis vêm registrando uma média mensal de comercialização de novas cotas de 17 mil unidades. O total entre janeiro e outubro deste ano superou 171,1 mil, 19,3% a mais do que no mesmo período do ano passado.

As principais lojas e magazines, que comercializam seus produtos pelo sistema, sinalizam a retomada, prevendo-se uma situação ainda mais positiva até o fim do ano. Até outubro, havia no segmento 204,5 mil consorciados, 8,8% mais que em 2003. As contemplações também mostraram alta de 4,1%, para 72,6 mil.