A percepção da inflação alta e as manifestações nas ruas fizeram a confiança do consumidor despencar em julho, ante junho, para o menor nível desde maio de 2009, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) recuou 4,1% no mês, para 108,3 pontos, ante 103,6 pontos de maio de 2009. A variação da queda foi a maior em 23 meses.

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Viviane Seda Bitencourt, coordenadora da sondagem de expectativa do consumidor, destacou que está ocorrendo um descolamento entre os indicadores econômicos feitos por especialistas e a percepção da população.

Ela citou, por exemplo, maior preocupação dos consumidores com a inflação, mesmo que o índice oficial tenha começado a recuar. Outro exemplo é a preocupação com o emprego, que ainda está em patamar alto: o indicador do ICC que mede a percepção da situação atual do emprego despencou 15,3% em julho ante junho. “Não só o aspecto econômico afeta a percepção do consumidor, mas também o psicológico. As manifestações têm um aspecto psicológico, captado pela pesquisa”, disse.

O ICC se soma aos índices da FGV de confiança de serviço, comércio e construção, todos com piora das expectativas. A confederação Nacional da Indústria também aferiu queda de 4,9% na confiança do empresariado industrial de julho.

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Segundo Viviane, há uma piora de percepção tanto da parte da oferta, com empresários mais pessimistas, quanto da demanda, com consumidores mais cautelosos, mesmo que a situação financeira da família tenha se mantido estável. “O consumo das famílias não está sendo mola propulsora da economia neste momento”.

O pessimismo foi sentido principalmente nas faixas de renda mais baixa (renda familiar mensal até R$ 2,1 mil) e mais alta (acima de R$ 9,6 mil). “Pesou mais nas faixas dos extremos”, disse Viviane.

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O índice que mede a satisfação com a economia despencou 25,6% para famílias com renda até R$ 2,1 mil. Para todas as classes juntas, a queda foi de 9,7%. Segundo a especialista, houve uma migração da insatisfação das outras faixas de renda, que percebem mudanças na economia mais rapidamente, para a mais baixa neste mês.

Juros altos, inflação e mercado de trabalho estão entre os itens que pesam no resultado.

O quesito que mede o grau de satisfação dos consumidores em relação à situação econômica presente despencou 18,2%, para 67,8 pontos, o pior desde maio de 2009. “A situação financeira está muito incerta, reflete uma preocupação com o mercado de trabalho”.