A confiança do consumidor mostrou recuperação no mês de setembro, mas ainda não retornou a um nível considerado satisfatório, disse a coordenadora da Sondagem do Consumidor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Viviane Seda. “Nenhum movimento mostra uma recuperação mais forte (na economia), mas o consumidor começa a se sentir um pouco mais confiante”. A melhora, no entanto, não é generalizada. “Isso mostra também que não há mudança clara na postura, alguns ainda estão menos confiantes”.

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) subiu 1% em setembro ante agosto, para 114,2 pontos, ainda devolvendo as perdas registradas em junho e julho (período das manifestações populares).

O aumento da satisfação com o cenário atual foi o que impulsionou esse desempenho. O Índice de Situação Atual (ISA) avançou 3,5%, para 121,3 pontos (abaixo da média histórica). A percepção sobre a situação econômica no momento se destacou pelo resultado positivo, com alta de 4,5% em setembro.

Já a visão sobre a situação financeira das famílias teve alta de 0,9%, mas Viviane observa que a melhora é na margem. O único impacto negativo nesse quesito veio das classes de renda mais baixa (até R$ 2,1 mil reais). “Eles estão se sentindo mais endividados, ao contrário das outras classes. Também há uma preocupação com o emprego, no momento. Isso pode ser um fator redutor do potencial de consumo deles”, afirma. A queda ainda não é suficiente para anular os ganhos dos últimos anos em termos de confiança, mas o viés é de diminuição, aponta.

Para o futuro, o Índice de Expectativas (IE) aumentou 0,4% em setembro, para 110,8 pontos, mantendo-se acima da média de 108,1 pontos. Mesmo assim, Viviane destaca que há uma diminuição no otimismo, especialmente nas classes mais baixas, além de menores perspectivas de uma recuperação da economia nos próximos meses.

“Há uma preocupação com a inflação dos alimentos, percebida de maneira mais forte por esses consumidores”, explica. Embora o arrefecimento da alta nos preços tenha dado ânimo no mês passado, agora as projeções para a inflação voltam a ser maiores, de acordo com a coordenadora da sondagem. A alta de juros também está preocupando mais, contribuindo negativamente para a situação financeira das famílias. “Está bastante difundida a percepção de que os juros vão continuar subindo até o fim do ano”, diz Viviane.

Emprego e juros

As incertezas sobre se haverá uma recuperação mais forte da economia acabam tendo impacto também sobre as expectativas para o mercado de trabalho, que têm oscilado entre momentos otimistas e pessimistas ao longo do ano. Em setembro, o índice de emprego atual caiu 1,1%. “Isso mostra claramente a incerteza dos consumidores em relação à economia”. Mesmo assim, os indicadores para emprego atual e futuro ainda se encontram acima de suas médias.

O aumento de 0,7% em setembro no ímpeto de compra de bens duráveis, para 86,5 pontos, é relativizado por Viviane, mesmo estando acima da média histórica. “O avanço na ponta ainda é pequeno comparado ao que já se perdeu”, diz.

Segundo a coordenadora da pesquisa, o movimento acompanha a evolução mais tímida na massa salarial. Além disso, o ‘abalo nas expectativas futuras, principalmente entre consumidores com renda mais baixa, afeta o indicador, apesar de medidas de estímulos pontuais como o programa Minha Casa Melhor, que financia a compra de móveis e eletrodomésticos para beneficiários do Minha Casa, Minha Vida.