A economista francesa Esther Duflo, vencedora do Prêmio Nobel de Economia em 2019, ministrou uma aula magna em Brasília para servidores públicos, acadêmicos e convidados na Escola Nacional de Administração Pública (Enap). O evento marcou a assinatura de um convênio entre a Enap, a Fundação Lehmann e a Universidade de Zurique para capacitar servidores públicos brasileiros na avaliação contínua dos resultados das políticas públicas.
Por que essa capacitação é importante?
Duflo explicou que existem três principais entraves para a gestão pública: ignorância, ideologia e inércia. A capacitação ajudará os servidores a superar esses obstáculos, utilizando métodos como avaliações controladas aleatórias para identificar com precisão os êxitos e problemas das políticas públicas. Isso permitirá uma tomada de decisão baseada em evidências, em vez de crenças pré-estabelecidas ou intuições.
Quais são os benefícios dessa abordagem?
A avaliação contínua de políticas públicas pode levar a melhorias significativas. Um exemplo é o programa Ensino no Nível Certo, que enfrentou resistência inicial na Índia, mas após ajustes baseados em evidências, expandiu-se para 18 países, incluindo o Brasil. Outro caso de sucesso é o uso de inteligência artificial na educação pública do Espírito Santo, que foi ampliado após comprovação de resultados positivos.
Como será a parceria entre a Fundação Lemann e a Enap?
O convênio oferece diversas oportunidades para pesquisadores e gestores públicos brasileiros, incluindo 150 bolsas para cursos online em Economia de Dados e Design de Políticas Públicas, bolsas para mestrado na Universidade de Zurique, posições para doutorado sanduíche e pesquisas, além de estadias de curta duração em Zurique para desenvolvimento de projetos estratégicos.
Qual é a importância do uso de dados na formulação de políticas públicas?
A ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, destacou a importância do uso de dados baseados em evidências, citando como exemplo a eliminação da fome no Brasil após o ressurgimento do Bolsa Família. Ela também mencionou ajustes no programa Dignidade Menstrual após feedback da população e análise de dados de acesso, demonstrando a relevância da escuta ativa e do monitoramento para a efetividade do gasto público.
