A escalada de preços das matérias-primas no mercado internacional elevou a participação desses produtos nas exportações brasileiras para o maior nível em duas décadas. A fatia das commodities nas vendas externas atingiu 69,4% em 2010, ante 67,2% em 2009 e 51% em 2000, revela um estudo do banco Credit Suisse.

Apenas seis produtos – minério de ferro, petróleo, soja, açúcar, aço e celulose – responderam por 50% das exportações de US$ 201,9 bilhões em 2010. “É muito provável que o peso das commodities nas exportações brasileiras aumente neste ano, podendo chegar a 75%”, prevê o economista-chefe da instituição e responsável pelo estudo, Nilson Teixeira.

Para calcular a participação das matérias-primas nas exportações, Teixeira considerou como commodities itens que passaram por algum tipo de processamento, como produtos siderúrgicos e açúcar, por exemplo, e não apenas os produtos tidos como básicos nos dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Teixeira prevê que as commodities continuem avançando na pauta de exportações baseado na boa maré dos preços das matérias-primas no mercado externo. Entre outubro de 2010 e fevereiro deste ano, as cotações das commodities exportadas pelo País aumentaram 17,5%, enquanto os preços das exportações em geral subiram 9,5% no mesmo período, aponta o estudo. O aumento de preços explicou 30% do crescimento da receita de exportação de produtos básicos no ano passado.