O comitê de investimentos do FI-FGTS, fundo que usa parte dos recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) dos trabalhadores para aplicar em projetos de infraestrutura, quer lançar até o fim deste ano uma nova chamada pública para o recebimento de propostas para um possível aporte do fundo. O tema deve ser discutido em reunião do colegiado em 13 de dezembro, com roadshow a partir de fevereiro de 2018. Há hoje pelo menos R$ 4,2 bilhões disponíveis para financiar novos projetos, mas o valor ainda pode ser revisto.

continua após a publicidade

“Dinheiro tem, precisamos de projetos”, afirmou a presidente do comitê do FI-FGTS, Suzana Leite, representante da União Geral dos Trabalhadores (UGT) no colegiado.

continua após a publicidade

Para ela, o maior problema hoje é a “falta de projetos consistentes”. No primeiro edital lançado pelo fundo no início deste ano (inaugurando a nova forma de seleção, já que antes a decisão sobre investir ou não era discricionária do comitê), foram apresentadas 34 propostas, mas em alguns casos faltou documentação. Tanto que o FI-FGTS pretendia atender 15 projetos ou R$ 7 bilhões em aportes, o que fosse atingido primeiro, mas só foram selecionados três empreendimentos, com total de R$ 1,4 bilhão em financiamento pelo fundo.

continua após a publicidade

“Os projetos até têm qualidade, são bons, mas falta consistência”, disse Suzana.

Na segunda chamada, aberta em junho, 21 projetos se inscreveram para uma disponibilidade de R$ 5,6 bilhões (valor remanescente do primeiro edital). A taxa de sucesso melhorou, mas ainda assim foram selecionados sete projetos no total de R$ 1,4 bilhão.

O comitê de investimentos do FI-FGTS vai aproveitar agora os R$ 5,2 bilhões remanescentes para lançar um novo edital de seleção de projetos. Ainda não se sabe se em 2018 algum valor poderá ser incorporado a essa disponibilidade.

Estudos

Os projetos já selecionados pelo fundo ainda estão sendo estudados pelo comitê. Em reunião nesta quarta-feira, 8, o colegiado estabeleceu um cronograma para a continuidade das análises e para a realização de diligências legais, ambientais, societárias e contratuais, bem como a estruturação de garantias para as operações. O calendário é “indicativo”, uma espécie de tentativa, uma vez que antes o FI-FGTS não estabelecia nenhum prazo para que as empresas prestassem as informações para dar andamento à avaliação.

Para as propostas selecionadas na primeira chamada, no início do ano, o prazo será o final do primeiro semestre de 2018. Já os projetos do segundo edital terão até o fim segundo semestre de 2018 para reunir as informações. É com base nesses dados que o comitê tomará a decisão final de aprovar ou não o investimento.

Sob novas regras, o FI-FGTS pode participar com até 50% do valor de financiamento do projeto (já desconsiderando os 20% que a empresa tem que aportar em recursos próprios para o investimento). O valor mínimo para aporte do fundo é de R$ 100 milhões e o máximo de R$ 1 bilhão em valores absolutos. Antes, o FI-FGTS podia participar com até 90% do investimento.