Desde ontem a conta de luz fica 1,9% mais cara em todo o país. O reajuste, anunciado na quarta-feira, só vale para quem consome acima de 350 kWh. O aumento é uma conseqüência do acionamento das usinas térmicas emergenciais no Nordeste, iniciado sábado para poupar os reservatórios de água da região e afastar o risco de racionamento.
O governo promete que o reajuste será suspenso assim que as chuvas no Nordeste se intensificarem e as usinas emergenciais forem desligadas.
O custo da energia do seguro virá na conta de luz discriminado como ?encargo de aquisição de energia emergencial?.
A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) definiu o valor do encargo em R$ 0,0047 por kWh consumido no mês, ou R$ 2,34 (cálculo sem imposto) em uma conta de 500 kWh/mês.
Além desse valor, os consumidores continuarão a pagar o ?encargo de capacidade emergencial?, que está na conta de luz desde março do ano passado e serve para pagar apenas o aluguel das usinas do seguro. O aluguel custa R$ 0,0085 por kWh consumido no mês, ou R$ 4,25 em uma conta de 500 kWh/mês.
No total, para custear o aluguel das usinas e a geração de energia, os consumidores pagarão R$ 0,0132 por kWh/mês. Serão R$ 6,60 em uma conta de 500 kWh/ mês.
Os consumidores residenciais de baixa renda não pagam esses encargos. Já os que consomem até 350 kWh/mês não pagam pela geração de energia, mas pagam pelo aluguel.
O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) avaliará, semanalmente, se as usinas do seguro devem ou não continuar gerando energia. Quando não for mais necessário, a cobrança pela geração de energia deixará de ser feita, mas o consumidor continuará a pagar o aluguel.
Chuvas
O seguro antiapagão foi acionado à 0h de sábado pelo ONS. Seis das 57 usinas termelétricas emergenciais mantidas com recursos do seguro foram acionadas para gerar aproximadamente 400 MW médios para o Nordeste.
O objetivo é evitar que o nível dos reservatórios das principais hidrelétricas da região fique abaixo do que é considerado seguro e haja risco de racionamento de energia. Na segunda-feira, o nível dos reservatórios da região estava em 14,19%.
Em dezembro, o nível de segurança passou de 10% para 13,74%. Dessa forma, o nível atual dos reservatórios está apenas 0,45 ponto percentual acima do nível de segurança.
Além das usinas do seguro antiapagão, o ONS determinou que três usinas do PPT (Programa Prioritário de Termeletricidade) fossem acionadas parar gerar mais 400 MW médios.
Dessa forma, o total do socorro de energia termelétrica para o Nordeste está em aproximadamente 800 MW médios. A energia termelétrica está sendo usada para poupar os reservatórios de água das hidrelétricas até que comecem as chuvas na região.
O seguro antiapagão foi criado no ano passado pelo extinto ?ministério do apagão? (Câmara de Gestão da Crise de Energia).
Querosene, nafta e óleo ficam mais caros
O querosene de aviação, a nafta petroquímica e o óleo combustível começam 2004 mais caros. Entrou em vigor ontem (1º de janeiro) o reajuste de 2,6% do querosene de aviação, de 5,5% da nafta e de 2,5% do óleo combustível. Esse produtos são usados pelas indústrias.
O anúncio do reajuste tinha sido feito, anteontem, pela Petrobras. Esses produtos têm seus preços fixados mensalmente por meio de contratos firmados com grandes consumidores.
Na terça-feira passada, o presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, afirmou que os preços dos combustíveis não serão reajustados nos próximos meses porque a perspectiva é que as cotações internacionais do petróleo e dos derivados fiquem estáveis em 2004.
Ele informou ainda que o preço da gasolina teve queda de 10% na comparação dezembro de 2003 com igual mês de 2002. No caso do diesel, a redução também foi de 10%. O gás de cozinha ficou estável. Insumo industrial, o óleo combustível teve queda de 15%.
Para a estatal, o preço do petróleo tipo Brent vai permanecer na casa de US$ 27 a US$ 28 por barril no ano.
Petróleo em baixa
Os preços do petróleo retrocederam na quarta-feira em Nova York na última sessão de 2003, apesar da forte queda das reservas nos Estados Unidos anunciada no relatório semanal do departamento de Energia americano (DoE).
No mercado futuro de Nova York, o preço do ?light sweet crude? para entrega em fevereiro perdeu 27 centavos, a US$ 32,52, anulando quase todos os lucros de terça-feira (+39 centavos).
No início, os preços subiram no mercado, após a divulgação das cifras do DoE, mas isso durou pouco, explicou Marshall Steeves, analista da Refco.
Depois, os preços voltaram a cair, já que os investidores avaliaram que a queda das reservas foi ?compensada pela disponibilidade de gasolina e óleo diesel?, afirmou.
Em seu relatório semanal, o DoE estimou que as reservas de petróleo baixaram em 3,8 milhões de barris (Mb), a 270,7 Mb, na semana que terminou em 26 de dezembro.
Para o Instituto Americano do Petróleo (API), a queda desses estoques é muito maior: -8,25 Mb, a 267,49 Mb.


