Ele já foi um dos maiores revendedores de carros no País, com 100 lojas de diversas marcas. Dono de um grupo que já teve um faturamento de R$ 6 bilhões ao ano, chegou a lançar projeto de uma fábrica de carros chineses na Bahia, orçado em R$ 1 bilhão. No início do mês, porém, o empresário brasileiro Sérgio Habib entrou com pedido de recuperação judicial de seu grupo, o SHC, que acumula dívidas de R$ 517,7 milhões.

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No pedido com mais de 6 mil páginas, o grupo explica que suas dificuldades começaram após a crise econômica, que alterou planos da empresa, e foi acentuada pelo programa Inovar-Auto, que impôs cotas de importação – ou pagamento extra de 30 pontos porcentuais de IPI. Imputa, porém, à PSA Peugeot Citroën, empresa com a qual manteve parceria por 28 anos, a responsabilidade maior pelas dívidas acumuladas.

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O grupo francês, em especial a Citroën – marca que ele trouxe ao País nos anos 90 e foi o maior concessionário, com 43 lojas – também será alvo de ação por indenização nas próximas semanas, informou nesta terça-feira, 13, Habib, durante o lançamento, em São Paulo, do utilitário-esportivo T50, da JAC Motors. São veículos da marca chinesa que ele vende nas 20 revendas que restaram ao grupo.

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Habib afirma que entrou com pedido de recuperação judicial justamente para preservar essa operação, que segundo ele é rentável, junto com a venda de carros usados. “Queremos proteger as operações da JAC dos credores da Citroën”, disse.

Habib lembra que, em 2008, a Citroën vendeu mais de 60 mil veículos, metade deles por meio das revendas de seu grupo. A marca tinha 2,7% de participação no mercado, fatia que hoje está abaixo de 1%. “Neste ano, as vendas não vão chegar a 20 mil veículos”. A marca foi a que mais perdeu mercado nos últimos tempos, registrando queda de 80% nas vendas de 2011 para cá. Também ficou cinco anos sem lançar produtos (de 2013 a 2018), num mercado cada vez mais disputado.

A partir de 2014, Habib começou a fechar lojas da Citroën, assim como da JAC, da Volkswagen e da Land Rover. Nesse processo, contou ele, negociou com a PSA e demais grupos regras previstas na Lei Ferrari (que estabelece normas entre fabricantes e distribuidores), como adquirir o estoque de peças.

Em março, fechou suas últimas 12 lojas da Citroën e duas da Peugeot. “Nesse caso não houve negociação; não me pagaram pelos serviços de revisão dos carros no período de garantia nem ficaram com as peças”.

Contratos

Em nota, a PSA informou que “sempre pautou suas atitudes pelos mais elevados padrões éticos e morais, respeitando rigorosamente os contratos firmados e as leis brasileiras e, especialmente, a Lei Ferrari e, com o Grupo SHC, foi exatamente assim que procedeu”.

A fabricante também disse que, logo após o fim do contrato com Habib, foi procurada por grupos que são revendedores da marca para ficar com as concessões e várias lojas serão reabertas nas mesmas regiões.

As dívidas do grupo SHC são com bancos, fornecedores de peças e serviços e trabalhistas (ações na Justiça). O grupo já teve 4 mil funcionários e hoje tem 700. “Espero sair da recuperação judicial em três a cinco anos”, disse Habib.

A sócia do escritório Dias Carneiro Advogados, Laura Bumachar, explica que o grupo tem dois meses para apresentar um plano de recuperação e até seis meses para negociar o pagamento com os credores. Se não conseguir, terá a falência decretada. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.