O Tribunal de Contas da União (TCU) fez 4 alertas, 24 ressalvas e 22 recomendações, ao se posicionar a favor da aprovação das contas do presidente da República, Michel Temer, no exercício de 2017. Em sessão nesta quarta-feira, 13, o tribunal enfatizou a deterioração fiscal do país nos últimos anos e projetaram uma possível paralisação da máquina pública nos próximos anos diante da dificuldade de cumprir o teto de gastos. O julgamento sobre as contas do governo é uma atribuição do Congresso Nacional, para onde o parecer do TCU será encaminhado.

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O ministro relator, Vital do Rêgo, afirmou que a regra de ouro – segundo a qual o governo não pode contrair dívidas para pagar despesas correntes – “poderá não ser cumprida em 2018, ante a insuficiência prevista de R$ 182 bilhões, podendo alcançar R$ 307 bilhões em 2020”.

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“A trajetória de crescimento das despesas primárias obrigatórias da União, especialmente das despesas previdenciárias, em razão da limitação imposta pelo teto dos gastos trazido pela Emenda Constitucional 95/2016 (que instituiu o teto de gastos), e a manutenção do elevado patamar de renúncia fiscal comprimem a capacidade de investimento do governo, o que dificulta a retomada do crescimento da economia”, afirmou o ministro relator, Vital do Rego.

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O teto de gasto foi cumprido à custa de redução de despesas discricionárias, ao longo do exercício, para compensar a elevação da despesa com pessoal, com pagamento referente a benefícios previdenciário e a aumentos salariais concedidos ao servidor público. No entanto, a projeção de ampliação nas despesas previdenciárias e de pessoal, nos próximos anos, segundo Vital do Rego, “comprometer, em última instância, e apenas para mencionar os exemplos mais críticos, os recursos destinados ao custeio da saúde, da educação e da segurança, além dos investimentos e do funcionamento da máquina pública”.

A análise da equipe técnica do tribunal apontou que as despesas discricionárias teriam que ser reduzidas a zero até março de 2024, ou, no cenário mais otimista, até 2027, para que o teto de gastos definido pela Emenda Constitucional 95/2016 seja cumprido. “Dito de outra forma, caso medidas estruturantes de equilíbrio fiscal não sejam efetivadas, em poucos anos os recursos seriam suficientes apenas para cobrir as despesas previdenciárias e de pessoal, sobrevindo, como consequência, o shutdown da máquina pública”, disse o relator.

O ministro destacou que, embora o resultado fiscal de 2017 tenha sido melhor do que o de 2016, percebe-se, quando se observam os gráficos, uma franca expansão no endividamento e uma deterioração do quadro fiscal do Brasil a partir de 2013, até quando havia uma situação superavitária. O déficit primário em 2017 foi de R$ 118,4 bilhões, uma melhora em relação aos R$ 159,5 bilhões do exercício de 2016.

Renúncias

O tribunal mostrou uma preocupação também com as renúncias, que em 2017 chegaram a R$ 354,7 bilhões. Esse valor é a soma dos R$ 270 bilhões que se referem a benefícios tributários (gastos tributários), incluindo isenções tributárias e desonerações de folha de pagamento, e R$ 84 bilhões relativos a benefícios financeiros e creditícios, como Fies, Finame, Programa Minha Casa Minha Vida e ao Fundo de Amparo ao Trabalhador – FAT, entre outros.

O tribunal, que já havia apontado uma série de problemas na semana passada em relação à concessão e o monitoramento dos benefícios, recomendou que os ministérios do Planejamento, da Fazenda e a Casa Civil criem um grupo de trabalho para analisar essas renúncias, para que verifiquem se estão de acordo com leis como a da responsabilidade fiscal. Essa sugestão partiu do ministro Bruno Dantas e foi acolhida pelos demais, que também mostraram preocupação.

Entre os problemas apontados pelo TCU estão a ausência de requisitos legais para concessão de benefícios tributários com renúncia de receitas, com descumprimento em vários casos da lei de responsabilidade fiscal, apontando que é necessário fazer uma projeção de impacto orçamentário e indicar medidas de compensação tributária. Esse foi um dos quatro alertas emitidos pelo TCU.

O ministro relator, Vital do Rêgo, frisou que é preciso ter mais rigor na concessão e no monitoramento dos benefícios fiscais – o que foi tema de julgamento no TCU na semana passada.

“Em 2017, tais benefícios alcançaram o montante de R$ 354 bilhões, correspondendo a 5,4% do PIB e a 30,7% da receita primária líquida. É dizer que o Governo federal deixa de arrecadar e gasta com incentivos quase um terço de sua arrecadação líquida”, disse o relator.

“Se voltássemos ao patamar de renúncias de 2003 a 2008, seria suficiente para cobrir o déficit primário”, disse o relator Vital do Rêgo.

O ministro Bruno Dantas disse que o país precisa rever “benefícios tributários concedidos indiscriminadamente sem qualquer acompanhamento e sem qualquer medição dos efeitos”. “É preciso que em algum momento apontemos para um ponto no futuro em que esses benefícios tributários e fiscais possam ser extintos e substituídos por formas mais republicanas de tratar dessa questão”, disse. Ele disse que a concessão de benefícios pode terminar significando uma “forma de fugir da transparência no orçamento”.

O TCU também alertou ao Ministério da Fazenda que a Receita Federal se recusou a passar informações solicitadas. “Obstrução de trabalhos de auditoria financeira do TCU em suas demonstrações contábeis com a finalidade de trazer subsídios à apreciação das contas do presidente da República pode comprometer a emissão de opinião por parte desta Corte de Contas”, diz o acórdão.

A análise contou com a participação de várias unidades técnicas do tribunal, sob coordenação da Secretaria de Macroavaliação Gover