O Banco de Brasília (BRB) só comunicou ao Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf) o saque de R$ 2,2 milhões em favor do senador Joaquim Roriz (PMDB-DF) uma semana depois que o Banco Central iniciou o procedimento de fiscalização no banco, a pedido do Ministério Público do Distrito Federal. A retirada em espécie ocorreu no dia 13 de março, mas só foi relatada ao Coaf no dia 19. Nesse período, segundo investigadores, fiscais do BC foram avisados pelos promotores e, para não despertar a atenção de dirigentes do BRB, suspeitos de envolvimento nas fraudes, informaram à instituição que faziam uma operação de rotina.

Para a equipe técnica que apura o caso, o saque foi oficialmente informado às autoridades porque dirigentes do banco perceberam que ele certamente cairia no pente-fino dos fiscais do BC. Pela lei de combate à lavagem, os bancos são obrigados a comunicar em 24 horas qualquer saque ou depósito em espécie acima de R$ 100 mil.

Além de levantar suspeitas, a desobediência a essa norma é considerada falha grave, com punições que vão da advertência à inabilitação temporária do dirigente responsável, com possibilidade de cassação da autorização para funcionamento da instituição.

Procurado, o BC não quis comentar o episódio. Informou, por sua assessoria, que ?não se pronuncia sobre quaisquer eventuais atividades da área de fiscalização porque são protegidas pelo sigilo bancário?.

Na versão de Roriz, os R$ 2,2 milhões tiveram o seguinte destino: R$ 271 mil foram usados na compra de um embrião de gado nelore; R$ 28,6 mil repassados a Benjamin Roriz, sobrinho do senador, e o resto, R$ 1,9 milhão, devolvido ao empresário Constantino de Oliveira, conhecido como Nenê, que teria emprestado o dinheiro.