A Confederação Nacional da Indústria (CNI) pediu ao Congresso nesta terça-feira (1º) que tenha prudência na análise de projetos prioritários do governo federal. As informações são da Gazeta do Povo. Entre as propostas que preocupam o setor estão o fim da escala 6×1 (trabalhar seis dias e folgar um) e a isenção da taxa das blusinhas (imposto de importação para compras até US$ 50). As duas pautas têm previsão de votação nesta terça e quarta-feira (2), em meio ao esforço concentrado do Congresso.
Para a CNI, a pressão por aprovação acelerada em período eleitoral pode gerar consequências negativas para empresas, trabalhadores e consumidores. “É fundamental que os deputados e senadores levem em conta os diversos alertas que setores econômicos têm reiteradamente feito quanto aos impactos negativos dessas propostas”, afirmou Ricardo Alban, presidente da CNI.
Um estudo da entidade divulgado nesta segunda-feira (31) estima que o Brasil poderá levar até 30 anos para compensar o déficit de produtividade provocado por uma eventual redução da jornada de trabalho. A avaliação considera uma redução das atuais 44 horas para 40 horas semanais, sem diminuição dos salários.
Redução da jornada pode elevar custos em R$ 267 bilhões por ano
Segundo projeção apresentada pela CNI, a redução da jornada sem corte salarial poderia elevar em até R$ 267 bilhões por ano os custos das empresas com mão de obra. A entidade calcula que o aumento de despesas poderia chegar ao consumidor e provocar uma alta média superior a 6% nos preços, pressionando ainda mais o custo de vida.
Fim da taxa das blusinhas pode colocar 109 mil empregos em risco
A CNI também alerta para os efeitos do possível fim do imposto de importação para compras estrangeiras até US$ 50. De acordo com levantamento da entidade, zerar a cobrança pode colocar 109 mil empregos em risco e aumentar a pressão sobre empresas brasileiras. Para a confederação, a mudança ocorre em um momento de dificuldades adicionais para a indústria nacional, que já enfrenta os efeitos do tarifaço aplicado pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros.
“Os setores produtivos precisam ser ouvidos. Nós queremos contribuir e temos apresentado alternativas. Há caminhos, há saídas mais adequadas e menos prejudiciais à economia do que as propostas que estão sendo colocadas em votação às pressas, por força de interesses político eleitorais”, concluiu Alban.
