Ao se falar na história da Cidade Industrial de Curitiba (CIC), um nome não pode ficar de fora. João Casillo, “advogado e presidente da Aecic – Associação das Empresas da Cidade Industrial de Curitiba-“, como diz que gosta de ser chamado, foi um dos fundadores da entidade que reúne todas as empresas da Cidade Industrial. A CIC está completando trinta anos e a Aecic, 28. “A CIC significou, há trinta anos, uma nova era para o Estado do Paraná”, diz ele, que de fundador da entidade está, de volta, à presidência dela. E durante 24 anos foi diretor jurídico.

Casillo costuma dizer que o Paraná viveu três grandes fases. “A primeira foi a do ouro, que desapareceu quando se descobriram as jazidas de Minas Gerais”, explica. A segunda, segundo ele, “foi a fase dos tropeiros, no século XIX, quando eles atravessavam o Estado, vindos do Rio Grande do Sul com destino a São Paulo. Esta fase ainda teve a indústria da madeira, a da erva-mate e da agricultura. Hoje vivemos a fase moderna, iniciada pela Cidade Industrial de Curitiba nos anos 70”.

Mais recentemente o Paraná passa a viver outra fase, a das montadoras de veículos. “Lembro de empresas pioneiras, como a Siemens, a Bosch, a Plastipar, Becton Dickinson, Volvo, entre outras, todas importantes para a industrialização do Estado”, diz Casillo. Porém, diz ele, “a CIC teve importância porque mostrou que o Paraná tinha e ainda tem uma vocação industrial”.

Algumas empresas pioneiras já fecharam. Casillo lembra da Gronau. “Todas aquelas que se instalaram na Cidade Industrial de Curitiba permitiram que tenhamos hoje todo o desenvolvimento que temos. Elas foram as que abriram os caminhos para uma melhoria tecnológica e de recursos humanos”, diz o empresário, para quem “30 anos parece que foi ontem”.

Hoje, o parque industrial do Paraná é formado por indústrias modernas. “Chama a atenção o fato de os diretores compartilharem os mesmos espaços com os trabalhadores, um fato novo no relacionamento entre o capital e o trabalho, só possível com o crescimento da indústria local, e com a chegada de novas culturas”, diz Casillo.

Segundo ele, o nível salarial hoje é um dos maiores do Estado (na CIC) “porque o desenvolvimento tecnológico exige operários de alto nível”. Isso, acrescenta, estimula o comércio e os serviços. “Quem ganha mais consegue movimentar a engrenagem da economia de uma forma diferente do que aquele que ganha pouco”, diz. E garante que as melhorias não ficam apenas aí. “As indústrias também estão realizando ações de responsabilidade social. A própria Aecic faz isso, mantendo uma escola”, acentua.

A associação está empenhada em uma campanha, que é a de retirar do centro da cidade os trilhos do trem que vão da estação ferroviária até Rio Branco do Sul, em busca de calcário. “Temos que nos preocupar com a cidade como um todo”, explica, para justificar o fato de uma campanha que envolve o outro lado da cidade.

Sobre o momento atual em que vive o País, considera que os indicadores apontam para uma confiança muito grande. “Os investidores estrangeiros já estão trazendo seus investimentos de volta para o Brasil”, garante. Considera, porém, os juros e a pesada carga tributária o maior problema brasileiro. “A legislação trabalhista, atrasada, obtusa e necrófila, atrasa e impede até que empresas dêem benefícios a seus colaboradores.” Ele conta que algumas empresas da CIC preferem fazer festa para seus funcionários no final do ano, porque se derem salários acabam tendo que incorporá-los depois, pagando todas as obrigações sociais decorrentes disso.